Júlia vê o tumulto na praça e fica curiosa. O que está acontecendo? Ela corre para saber o que é.
__O que tá… – Júlia nem completa a frase pois logo descobre: o prefeito está no meio da praça com um sorriso de propaganda política nos lábios cercado por seus seguranças…
__Acabo de fechar negócio com Álvaro Agostine! Isso pode parecer injusto e cruel com vocês, mas eu fiz o que era melhor prá fábrica e prá vocês.
__Melhor prá você, prefeito. – diz Júlia.
__Sim, talvez… Afinal, também fui seriamente afetado com essa venda… A fábrica era um patrimônio de minha família e dói muito vendê-la. Mas a situação financeira da fábrica não estava nada boa…
__Que mentira, seu prefeito! Você meteu os pés pelas mãos e torrou o dinheiro da fábrica! Além disso, esvaziou os cofres da prefeitura tentando consertar o rombo! – diz Júlia revoltada.
Mateus olha para ela com um sorriso e diz:
___Seu pai é Francisco de Castro, não é?… Trabalha na fábrica, se não me engano… Pois é, menina, isso não é verdade. Durante minha adiministração, sempre fui transparente, honesto e responsável!
Júlia dá uma risada.
__Quanta mentira! O senhor é um vendido, seu prefeito! Vendeu a fábrica e vendeu as pessoa dessa cidade também por conta do seu olho grande! Nós é que vai sair perdendo com essa presepada toda sua! O senhor, seu prefeito, tá com as burra cheia de grana e se lixando prá nós!
__O que seu pai faz na fábrica, querida? – pergunta o prefeito Mateus num tom tão suave que chega a dar medo…
__Eu é que pergunto, prefeito: meu pai ainda trabalha na fábrica? – apesar do medo ela responde à altura…
Todos estão olhando para eles, acompanhando o duelo entre o poderoso e maquiavélico prefeito e a ingênua e delicada menina… Mateus se empertiga todo se aproxima de Júlia e diz:
__Sim, você disse bem… Ainda trabalha. E acho que ele não vai gostar nadinha de saber dessas suas idéias distorcidas sobre a minha pessoa, queridinha… Seria um transtorno prá ele, não? O pai, um operário honesto e dedicado ao trabalho, e a filha, uma pequena revolucionária…!
__Fica de boca fechada, Julita! – diz João, aparecendo do nada e puxando a irmã pelo braço para fora da praça.
__Me solta, João! Eu quero ver o que esse safado vai dizer do meu pai!
__E todos estão convidados para a festa no clube Gota Dourada! Espero todos vocês lá prá prestigiar a nova presidência da fábrica! – diz o prefeito acenando para Júlia e João – Vocês também, crianças! Estão convidados também!
João puxa Júlia até um canto.
__Tu tá maluca, garota?! Falar com o prefeito desse jeito!
__Só falei a verdade!
__Não pensa no pai e na mãe, não?… Nós trabalha pro maldito e depende do trabalho prá viver! É como nós ganha dinheiro, Júlia!
__Eu sei… – ela se encolhe sem jeito – Mas é que esse prefeito me tira do sério!
__Vamo prá casa, Julita. Chega de se meter em confusão por hoje!
E a tal festa? É esperar para ver.

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