Capítulo 32

7 de setembro de 2010

O prédio antigo, de paredes descascadas é do tempo de Dom Pedro I, quando passou pela cidade. Hoje está abandonado, a prefeitura não tem interesse em restaurá-lo e fazer transformá-lo em centro de estudos como havia sugerido o diretor da escola Nuno Dias.

É nesse prédio que Bruna e Pedro se encontram quase um mês depois daquele dia fatídico na fazenda do prefeito.

__O que você tá fazendo aqui, Bruna? – ele pergunta sem entender direito o que Bruna está fazendo aqui… – Eu marquei de encontrar a Júlia aqui prá gente conversar…

__Pedro, me perdoe… – a voz dela está angustiada, quase chorosa, coisa rara em se tratando de Bruna… – Mas aquela garota me procurou de novo. Ela não quer falar com você, meu amor. Ela foi bem direta… De você ela só quer dinheiro.

__Mas… Eu tenho que falar com ela, quero ouvir isso dela! – ele está indignado.

__Eu fiquei horrorizada com as palavras dela… Tão frias, tão cruéis…! Ela é perigosa, Pedro!… É melhor se afastar dela, meu amor!

__Não dá prá entender essa mudança tão repentina dela…!

__Pedro, se liga! Ela não mudou, ela estava fingindo! Ela não é nada meiguinha e romântica como te fez pensar! Era tudo fingimento, prá te arrancar uma grana! Inventou que estava apaixonada por você, mas era tudo estorinha…! – ela se aproxima dele com os olhos cheios de lágrimas – Meu amor, essa garota nunca te amou de verdade… Ela só queria dineiro. E agora como não conseguiu nada, inventou essa estória de gravidez…

__O quê? A Júlia tá grávida? – ele fica zonzo com a notícia… – Ela disse isso?

__Se ela tá grávida mesmo, eu não sei. Mas foi isso que ela me disse ontem. – Bruna enxuga os olhos – Acho que é mais um golpe dela, Pedro. O golpe da barriga…! Que truque mais antigo!

__Grávida… – ele repete ainda sem acreditar – Então esse filho é meu…

__Pedro, pelo amor de Deus! Não caia nessa rede, meu amor! Não vê que é mais truque dessa vadia?!

__Mas se for meu…

__Pedro, você não seria tão ingênuo de acreditar nisso! Acha mesmo que foi o único?…

Pedro sacode a cabeça sem acreditar. Que loucura é essa agora? Que tipo de pessoa armaria um plano tão sórdido e vulgar quanto esse? Será que ele se enganou com Júlia?… Será que aquilo tudo era fingimento dela para conseguir conquistá-lo e depois chantageá-lo?… Será que se enganou com Júlia?… Primeiro, ela pede dinheiro em troca de seu silêncio e afastamaento; agora inventa uma gravidez para tentar arrancar-lhe mais dinheiro… Seria ela tão podre assim? Pedro não consegue acreditar que tenha se enganado tanto… E aquele amor imenso que ela dizia sentir por ele foi só uma farsa, uma espécie de isca para atraí-lo?

__Eu não sei mais o que pensar. – ele diz com um suspiro – Sinceramente não sei mais o que pensar…! E essa gravidez agora… Não sei o que pensar, Bruna!

__Se ela estiver mesmo grávida, o que eu duvido, talvez não seja seu. É uma possibilidade, uma grande possibilidade… Que horror! Eu fiquei tão arrasada quando ela falou sobre isso, com a maior frieza do mundo, como se falasse de um móvel, uma coisa qualquer! – ela se abraça a ele – Por favor, Pedro, vamos embora desse lugar!… Vamos voltar pro Rio, prá nossa vida! Eu não quero mais ficar nessa cidade!

__Calma, Bruna. Vamos com calma. Eu vou conversar com a Júlia e saber se essa estória de gravidez é verdadeira…

__Pedro, você ainda quer falar com ela depois das coisas horríveis que ela te fez? Eu fiquei enojada com as coisas que ela disse, o tom de voz dela tão frio, tão vulgar… Ela me humilhou, Pedro. Com essa estória de gravidez e tudo mais, ela me humilhou muito!… Eu não sei o que você ainda tem prá falar com essa mulher, mas fique sabendo que pretendo voltar pro Rio essa semana. Com ou sem você.

 

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