Capítulo 47

14 de novembro de 2010

Anadyr Beirut é uma mulher alta, cabelos pretos presos num coque, olhos azuis, que se veste com uma elegância discreta. Ela sorri para as cameras e acena delicadamente.

__Senhora, é verdade que Benito pretende comprar algumas empresas brasileiras? – pergunta o repórter.

__Talvez sim. Benito tem interesse em alguns restaurantes e fábricas brasileiros, mas ainda não decidiu se pretende comprar ou apenas se associar. – ela responde com um sorriso simpático – Tudo vai depender da disposição dos empresários brasileiros.

__A senhora vai estar com algum empresário esta semana?

__Não. Eu ainda não pensei nisso. Por enquanto quero aproveitar para conhecer o Rio de Janeiro. E a culinária brasileira, é claro!

__Mas a possibilidade de um investimento aqui no Brasil existe?

Anadyr sorri de novo.

__Sim, existe. Mas não é minha prioridade neste momento. Primeiro, quero relaxar, conhecer a cidade, saborear alguns pratos… Depois sim, tratarei de negócios.

__O Benito a instruiu para trabalhar dessa forma, senhora? – pergunta outro jornalista.

__Absolutamente não! – ela se mostra um tanto irritada pela primeira vez… – Sou assessora dele, não sua escrava! Tenho meu método de trabalho.

__E quanto a aquisição do  Banco International? Isso irá mesmo acontecer?

__Não estou sabendo de nada a respeito. Mas pode ser que Benito esteja pensando em investir em outra área… Ele gosta de diversificar.

__Senhora, que restaurante pretende conhecer hoje?

Ela sorri.

__Não sei ainda… Alguma sugestão?

__Devia conhecer o Colonial e o Casanova. Excelentes!

__Bem, vamos ver.

A simpatia de Anadyr conquistou os jornalistas, sem dúvida alguma! Ela falou sobre os negócios de Benito com certa leveza, sem se aprofundar muito, dar muitos detalhes… E deixou claro que não pretende tratar de negócios apenas. Ela quer relaxar, curtir o Rio de Janeiro. Como qualquer turista.

Pedro até que simpatizou com ela. Bruna, ao contrário, achou-a “gaiata” demais, agradável demais. Mas adoraria conhecê-la, é claro!

__Sem chance, Bruna. – diz Pedro – Ela já deve ter programado toda a sua estadia aqui no Brasil. E depois, quem somos nós? Ilustres desconhecidos para ela!

__Meu Deus, como você é simplório! Não somos desconhecidos, Pedro! Somos milionários!

__Somos pobres perto da imensa fortuna de Benito Rivera, meu amor!

__Sinceramente, não dá prá conversar com você. – ela levanta da cama e vai até a porta – Talvez eu deva tentar uma aproximação… Toda mulher gosta de compras, bater perna em shopping… Quem sabe não ficamos amigas?… – ela sorri e sai batendo a porta.

Pedro não consegue nem imaginar isso: Bruna e Anadyr fazendo compras no shopping! Precisa evitar que um desastre aconteça. Bruna está tão entusiasmada com a possibilidade de se aproximar do poderoso Benito Rivera, que não consegue ver a realidade.

E a realidade é que Benito não conhece os empresários brasileiros, não conhece Álvaro Agostine e nem as empresas dele. Álvaro é apenas uma gota neste vasto oceano que é o mundo dos negócios…

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