Capítulo 71

11 de fevereiro de 2011

Oito meses depois…

A maior empresa gastronômica da Europa já está oficialmente no Brasil. O escritório da presidência da El Madrid está instalado no Rio de Janeiro. A empresa ofereceu um discreto coquetel ao novo presidente e seu staff.

A presença de Benito Rivera foi ansiosamente esperada, mas por motivos particulares ele não pode vir ao Brasil. Benito havia dito que estaria no Brasil para conhecer Álvaro e Rafael, no entanto, adiou a viagem.

Depois de oito meses como presidente de uma das maiores empresas do mundo, Álvaro está rindo de orelha a orelha. Motivo? Benito deu-lhe carta branca para administrar a El Madrid. Isso significa que ele tem autonomia sobre vários setores da empresa… Inclusive o financeiro. E Rafael segue na onda. Ele montou a diretoria da empresa colocando pessoas de sua confiança para assumir os cargos mais importantes…

O próprio Álvaro indicou alguns nomes… A verba chega até ele limpa, para que ele possa usá-la nas necessidades da empresa. Isto não é maravilhoso? Para um homem tão honesto e leal como Álvaro isto é o paraíso na terra!… Claro que seu companheiro de “aventuras” não ficou de fora. Rafael está cuidando muito bem do financeiro da empresa…! Ele é o responsável por todos os investimentos feitos pela El Madrid. Não precisa dizer mais nada…

A vida de Álvaro e Rafael mudou completamente. Estão mais ricos, poderosos e influentes do que nunca! Rafael mora numa mansão espetacular num condomínio de luxo na Gávea, tem dois carros importados na garagem, frequenta os melhores lugares… Álvaro é o centro das atenções onde quer que vá, está nas páginas de colunas sociais de todos os jornais do país, comprou mais uma casa em Recife recentemente e está cotadíssimo para ser eleito o “empresário do ano”…

Com essas mudanças, a família também muda. Natália virou uma celebridade rapidamente e reage a isso com orgulho. Ela dá entrevistas, aparece em eventos sociais, sempre enaltecendo o marido Rafael… Raquel e Bruna conseguiram também a notoriedade e glamour que sempre sonharam. Apesar das “travas” do marido, Bruna aproveita o dinheiro dos pais e compra roupas, jóias, carros, tudo o que vier na cabeça…

Só Pedro e Paula não entraram nesse êxtase. Pedro continua com seu restaurante, mora no mesmo apartamento e procura levar a mesma vida que sempre levou. Sua irmã também não se deixou seduzir pelos milhões dos pais e continua com sua vida.

__O que é isso, Bruna? – ele pergunta ao ver um documento que lhe parece uma escritura.

__Um presente da mamãe. – ela responde sem culpa alguma…

__Presente? Que tipo de presente?

__Tipo uma casa maravilhosa.

__Bruna…

__É um presente, Pedro! Quer que eu recuse um presente da minha mãe?…

__Você sabe o que eu penso, Bruna.

__Pedro, meu amor, você não gostaria de morar numa casa confortável? Então! Por favor, não brigue comigo, amor! Eu quero essa casa, Pedro. Por favor, diga tá tudo bem…!

Ele respira fundo. Um presente bastante conveniente, como o carro importado, as jóias, as roupas de griffe…! Bem, ele prometeu que não seria tão radical, que pegaria mais leve com ela…

__Certo, por mim tá tudo bem.

Bruna dá um gritinho de felicidade e joga-se nos braços dele.

__Obrigada, meu amor! Tenho certeza de que seremos muito felizes na nova casa!

__Eu espero que sim.

__E você, Pedro? Tem alguma coisa que você queira muito, um sonho de consumo, um desejo secreto? – pergunta beijando o marido.

__Sonho de consumo?

__Tá, um ideal, aquela coisa que você gostaria muito de ver realizada…

__Bem, eu gostaria muito de poder ampliar o Típico’s, de criar uma escola de culinária para as pessoas de baixa renda… E dar uma melhorada no visual do restaurante. Esse é meu sonho de consumo.

__Só isso? – Bruna faz uma careta de decepção.

__É o meu sonho, Bruna. Você perguntou e eu respondi.

__Meu Deus, como você pensa pequeno!… Nem uma viagem pela Europa, um carrão importado, uma conta bancária cheia de dólares…?

Ele ri.

__Tá, ser um pouquinho famoso também. Não, famoso não. Popular, conhecido por todo mundo.

__Céus, meu marido é um otário de carteirinha! Como ainda pode ser tão ingênuo, meu amor?

Boa pergunta. Ele é ingênuo sim. Claro que gosta de viver confortavelmente, ter dinheiro suficiente no banco, um bom carro, roupas elegantes e algum poder… Mas a simplicidade ganha pontos com ele. Pedro não sabe se conseguiria sobreviver na pobreza, ganhando um salário, andando de ônibus lotado, comendo arroz e feijão… Na verdade, ele nunca se imaginou nessa situação. A pobreza não o atrai, é certo. Mas por outro lado ele procura não valorizar tanto o dinheiro, luxo, o poder. Para ele, mais importante que ter uma bela conta bancária, carro importado e tal, é ter paz interior, estar realizado como pessoa. A vaidade de Pedro é diferente da vaidade de Bruna.

Ela quer as coisas materiais, ele quer a tranquilidade espiritual, o equilíbrio emocional. Mas tudo bem, que venha a casa nova.

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