__Nossa! Que cara é essa, João?
__Aconteceu uma coisa hoje…
__Que foi?
__Álvaro Agostine e seus comparsas estiveram no restaurante.
__E aí? Eles te viram?
__Sim, o Vitório me apresentou a eles. E claro, eles me acharam parecido com alguém do passado…
__Será que eles vão comprar o restaurante?
__Não sei. Espero que não. Não quero ter de conviver com aquela gente.
__E o tal Pedro tava lá também?
__Sim, estava. Foi muito estranho vê-los de novo depois de tantos anos!… Pensei que isso nunca fosse acontecer, mãe.
__Mas então eles não te reconheceram?
__Não, acho que não. Só acharam parecido, mas depois mudaram o foco da conversa.
__Que ironia, hein! Agora você é um gerente, muito estudado, educado… Aqueles infeliz não pode mais te humilhar, filho!
__Eu sei, pai. Queria que a Júlia estivesse aqui prá ver isso.
__Você não esquece essa infeliz, João!
__Ela era minha irmã. E não fez nada do que disseram. Ela era inocente.
__Só você que pensa assim! Por causo dela, das safadeza dela com aquele sujeito, a nossa vida se acabou!
__Mãe, você não sofreu com a morte dela? Como mãe, não sentiu a morte da sua filha? – pergunta João.
Sofia fica muito séria. Dá um suspiro longo e encara João.
__Prá mim, ela morreu muito antes daquele incêndio. Me fez passar a maior vergonha da minha vida… Eu sofri sim. Ter uma filha mau caráter e ambiciosa, que quase matou uma pessoa, é muito sofrimento prá uma mãe… Mas é melhor ela morta do que me dando mais vergonha.
Para João, isso resume tudo. Seus pais não perdoaram Júlia e acreditam mesmo que ela foi a responsável pelo incêndio naquele galpão. Não pensaram no sofrimento e na humilhação de Júlia, só se preocuparam com a sua “reputação”, com o falatório das pessoas…! Como pais eles falharam sim. E como seres humanos mais ainda.

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