Capítulo 77

6 de março de 2011

__Nossa! Que cara é essa, João?

__Aconteceu uma coisa hoje…

__Que foi?

__Álvaro Agostine e seus comparsas estiveram no restaurante.

__E aí? Eles te viram?

__Sim, o Vitório me apresentou a eles. E claro, eles me acharam parecido com alguém do passado…

__Será que eles vão comprar o restaurante?

__Não sei. Espero que não. Não quero ter de conviver com aquela gente.

__E o tal Pedro tava lá também?

__Sim, estava. Foi muito estranho vê-los de novo depois de tantos anos!… Pensei que isso nunca fosse acontecer, mãe.

__Mas então eles não te reconheceram?

__Não, acho que não. Só acharam parecido, mas depois mudaram o foco da conversa.

__Que ironia, hein! Agora você é um gerente, muito estudado, educado… Aqueles infeliz não pode mais te humilhar, filho!

__Eu sei, pai. Queria que a Júlia estivesse aqui prá ver isso.

__Você não esquece essa infeliz, João!

__Ela era minha irmã. E não fez nada do que disseram. Ela era inocente.

__Só você que pensa assim! Por causo dela, das safadeza dela com aquele sujeito, a nossa vida se acabou!

__Mãe, você não sofreu com a morte dela? Como mãe, não sentiu a morte da sua filha? – pergunta João.

Sofia fica muito séria. Dá um suspiro longo e encara João.

__Prá mim, ela morreu muito antes daquele incêndio. Me fez passar a maior vergonha da minha vida… Eu sofri sim. Ter uma filha mau caráter e ambiciosa, que quase matou uma pessoa, é muito sofrimento prá uma mãe… Mas é melhor ela morta do que me dando mais vergonha.

Para João, isso resume tudo. Seus pais não perdoaram Júlia e acreditam mesmo que ela foi a responsável pelo incêndio naquele galpão. Não pensaram no sofrimento e na humilhação de Júlia, só se preocuparam com a sua “reputação”, com o falatório das pessoas…! Como pais eles falharam sim. E como seres humanos mais ainda.

0 comentários:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.