Capítulo 86

12 de abril de 2011

__Olá! Como se sente? – pergunta uma mulher morena assim que ela abre os olhos.

__Mais ou menos… Ainda dói um pouco… – Júlia murmura, um tanto zonza – O que aconteceu?…

__O doutor já vem e vai te dizer tudo o que aconteceu.

__Quantas hora eu dormi aqui?

__Muitas horas! – ela sorri – Mas agora você vai ficar bem. Espere um minutinho que o doutor já chega.

Nesse minutinho, Júlia lembra de algumas coisas. O incêndio no galpão provocado por Bruna, o desprezo de Pedro, a revolta de seus pais, a humilhação que passou diante dos Agostine… A gravidez inesperada. Uma sensação terrível a invade de repente.

Sabe que está muito ferida, embora não seja muito grave. Sabe também que todos pensam que está morta.

Um turbilhão de sentimentos, uma confusão de imagens em sua mente… Júlia chora, aflita e atordoada. Porque isso foi acontecer com ela?… Que mal fez para merecer isso?

__Como está, mocinha? – fala um homem alto de cabelos louros – Espero que bem.

__Acho que tô melhor… Ainda sinto dor…

__Mas vai passar aos poucos. Logo não sentirá mais nada.

__E o meu filho, doutor?

__Pois é. – ele senta numa cadeira perto dela – Eu queria dar uma outra resposta positiva prá você, mas infelizmente o pior aconteceu.

__O pior? Como assim?

__Você perdeu o bebê.

__Ah, meu Deus… Eu sabia… Tava sentindo isso… – ela começa a chorar – Eu sabia…

__Calma, mocinha…! Você é jovem, poderá ter outros filhos…! Está se recuperando bem, vai deixar o hospital logo, logo! Fique calma, sim? Vou chamar sua mãe.

__O quê? Minha mãe?

__A dona Sílvia tá aflita lá fora, quer te ver.

Sílvia. Aquela mulher que a salvou. E ela entra no quarto com seu sorriso de sempre…

__Oi, garota. Você tá bem? O doutor disse que tá, que vai receber alta logo.

__A senhora falou pro doutor que é minha mãe? Por causo de quê?

__Bom, na hora foi o que me veio na cabeça… Tinha que te internar, então…

__Me fala das coisa como tá em Caiçara… A senhora sabe de alguma coisa?

__Vamos conversar quando você ficar mais forte.

__Todo mundo deve de tá pensando que eu morri…

__É verdade. Acho que todo mundo pensa que você morreu no incêndio. Eu fui lá e procurei saber o que tinha acontecido… O seu nome é Júlia, não é? – ela sorri.

__É. E os meus pais?

__Eles estão bem. Mas na cidade só se fala do incêndio e de você… Que você tentou matar uma pessoa.

__Não é verdade, dona Sílvia! Ela que queria me matar!

__Acredito. Uma menina tão meiga, tão delicada… Não tem cara de malvada, de assassina. – ela ri e beija Júlia no rosto – Mas a gente conversa depois, tá bem? Agora trate de ficar boa logo!

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