Capítulo 5

18 de maio de 2010

Um tumulto em frente à prefeitura. São alguns funcionários da fábrica protestando contra a decisão do prefeito. A gritaria aumenta quando o prefeito aparece na janela.

__Traidor! Vendido! – grita um dos funcinários – Enganou nós, seu safado!

__É isso aí! Seu covarde! Quer explicar prá nós a safadeza que fez?! – grita Ronaldo agitando os braços furiosamente.

Do outro lado da rua Júlia observa a confusão. Essa gente está lutando por seus direitos! Muitos estão na fábrica desde que ela foi fundada… Então, de uma hora para outra, Mateus resolve vendê-la, sem sequer consultar os funcionários a respeito!

Quando queria se eleger o prefeito foi muito solícito, amigável e acolhedor…! Agora ele simplesmente ignorou seus eleitores, passando por cima dos funcionários da fábrica…

De repente, a porta da prefeitura se abre e o prefeito aparece com um sorrisinho amarelo nos lábios. Ao lado dele, o novo dono da Doce Vovó, Álvaro Agostine, que sorri largamente, acenando para as pessoas…

__Isso é muita cara de pau! – fala Vítor – Olha só que canalha é esse tal Álvaro! Como que tem coragem de aparecer com esse sorriso de largato na cara, gente?!?

__Canalha é o prefeito isso sim! Quero ver ele resolver essa questão com o pessoal da fábrica que tá no olho da rua! – diz Júlia.

O prefeito Mateus faz um gesto e pede silêncio.

__Minha gente, eu quero dizer que…

__A gente quer o nosso emprego, prefeito!

__Por causo de quê o prefeito vendeu a fábrica?

___Povo de Caiçara! Meus amigos, por uma questão financeira, tive de tomar essa atitude drástica! Infelizmente, estou numa situação difícil e tive de mexer no patrimônio de minha família. Eu não tive outra alternativa, meus queridos…! – ele abre o portão, mas recua quando alguns funcionários se aproximam – Vocês não sabem o quanto é doloroso prá mim desfazer desta fábrica…!

__Cadê o dinheiro que o prefeito roubou da prefeitura? – fala Ronaldo – O senhor botou no bolso uma fatia gorda do dinheiro da prefeitura! Porque não diz o que fez com esse dinheiro?

__Essa acusação é muito grave, Ronaldo. E totalmente infundada! Eu não roubei dinheiro algum! O dinheiro foi aplicado em melhorias prá cidade.

__E a fábrica? Essa estória de que vendeu prá pagar dívida não cola, prefeito! O senhor tá muito bem de vida, todo mundo sabe disso! – diz Vítor.

__Se vendeu foi por causo de outra coisa, prá encobrir alguma sujeirada tua! – Júlia diz atravessando a rua e se juntando ao grupo.

__Quanta ingratidão! – fala Álvaro – Vocês deviam agradecer ao prefeito por ter vendido a fábrica! Agora as coisas vão mudar nessa cidade! O progresso e a civilidade vão chegar até Caiçara! Isso significa que a vida de todos vocês vai mudar! Mudar prá melhor!

__O senhor vai garantir nossos emprego? Vai deixar nós trabalhando lá como sempre foi? – pergunta alguém.

__Talvez alguns setores sejam extintos… Talvez algumas cabeças sejam cortadas pelo bem da fábrica… – Álvaro sorri e não parece nem um pouco nervoso ou vacilante como o prefeito…! – Mas isso faz parte do mundo dos negócios. A fábrica será reestruturada e muitos de vocês serão aproveitados.

__Eu não quero trabalhar pro senhor. – declara Ronaldo – O prefeito é um safado, um falso, mas a gente sabe como lidar com ele, já conhece o infeliz e todos os truque dele! Já o senhor, a gente não conhece. Mas eu sinto aqui dentro de mim que o senhor é um canalha muito pior do que o prefeito…!

E a confusão recomeça! Gritaria, xingamentos, empurra-empurra… O prefeito corre para dentro da prefeitura enquanto Álvaro é salvo por Rafael que chega neste momento de carro.

Júlia vê Pedro no carro com a filha de Álvaro.

__Vamo embora, Júlia! – grita Vítor puxando-a pelo braço – Isso aqui vai virar uma guerra!

__Viu o tal Álvaro fugir? – ela diz.

__Vi sim. O capacho dele veio salvar o canalha!

__O dr. Rafael? Ele não é capacho não!

__Claro que é, Júlia! Parece um cachorrinho andando atrás do dono!

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