De repente, uma pedra passa voando na direção do carro de Rafael. Gritos, correria, os seguranças do prefeito tentando controlar a fúria do povo… Júlia e Vítor correm pela rua; ela querendo entender o que Pedro estava fazendo no carro com a filha de Álvaro e ele querendo fugir daquela confusão…
__Isso não vai dar certo! – diz Vítor depois que chegam até a famácia – E o meu pai no meio disso tudo!…
__Porque o filho do Rafael tava no carro com a filha do Álvaro? – uma pergunta sem propósito, ela nem se dá conta…
__O quê? Ah, sei lá! essa gente é muito unida, Julita! Um safado sempre ajuda o outro! Acho melhor a gente ir prá casa!
__Não, eu quero saber como é que ficou as coisa, Vítor! Vamos voltar prá prefeitura!
__Maluqueceu?! De jeito nenhum! Aquilo lá tá um inferno! Vamos sair dessa confusão!
__Mas…
__Vamos embora, Julita! Nós fica sabendo do resultado dessa loucura depois! – ele diz puxando Júlia pelo braço.
Em casa, ela tenta disfarçar o nervosismo. Toda aquela confusão em frente a prefeitura pode acabar muito mal…! Pior: pode acabar em demissão! Júlia não quer nem pensar nessa possibilidade…!
E o Pedro? Porque ele estava com aquela garota? Bobagem! Rafael Moura e Álvaro Agostine são amigos há anos, é o que se fala na cidade. As famílias se dão, é natural que os filhos sejam amigos…
__Quer saber o que eu acho? – pergunta Sofia de repente, tirando Júlia de seus pensamentos – Acho que o maldito prefeito não tá ligando a mínima prá nós! Ele vendeu a fábrica sem falar nada com nós! E agora vai dar até uma festa prá comemorar!
__Ele não vai ter coragem de botar nós na rua, mãe…!
__Claro que vai! Nós já tá na rua, filha! Por conta daquele infeliz que veio da capital! O tal doutor Álvaro…!
__O que será que ele vai fazer com nós, mãe?
__Nós não é nada prá ele. Já deve de tá com o pessoal dele pronto na capital prá trabalhar aqui na fábrica…!
Júlia se encolhe no sofá. Sente um aperto no coração… Algo de muito ruim está para acontecer…!
__E você, não se mete nessas coisa, ouviu? Nada de ficar metida em protesto, de se embolar com os operário! Já chega teu pai tomando parte nisso…!
__Mas eu não vou ficar de braço cruzado enquanto o prefeito bota nós na rua! Também trabalho na fábrica e quero lutar pelo meu emprego, mãe!
__Que lutar coisa nenhuma, Julita! Você é uma menina, tem que pensar nos estudo e cuidar da casa e só isso! Nada de se meter em coisa de adulto!
__Eu tenho dezesste anos, não sou mais criança, mãe!
Sofia dá uma risada.
__Não tem que se preocupar com essas coisa, Julita!… Tem que pensar em terminar os estudo, arranjar um trabalho decente, um bom rapaz prá casar, ter filhos…! Nada dessas coisa de política, de sindicato! Isso é coisa prá homem!
__Eu tenho meus plano pro futuro, mãe. Quero estudar, ter meu restaurante, uma casa boa na capital, um carro!… E tudo nessa vida é política, mãe! Mas eu não gosto disso não… Gosto de cozinhar!
Sofia ri de novo e senta ao lado dela.
__Presta atenção numa coisa que eu vou te dizer, garota… Nós é pobre, é trabalhador, e você tem que viver assim! Essas bobagem de restaurante, de morar sozinha na capital, isso é coisa de filho de gente rica! Vida de pobre é diferente, Júlia…! Vida de pobre é trabalho duro, é junto da família, como uma pessoa decente!
__Mãe…
__Pode tirar essas maluquice da cabeça, garota! Aquela professora tá botando minhoca na tua cabeça, eu sei que tá! Agora chega de conversa mole e vamos cuidar do almoço!
A professora Olívia apenas incentiva Júlia a lutar por seus sonhos. Ela diz que Júlia tem muito talento e que deve continuar os estudos, fazer faculdade, batalhar para ter seu restaurante…
Infelizmente nem Sofia nem Francisco apoiam a filha. Para eles, Júlia é só uma menina que não sabe direito o que quer da vida… E a vida que eles querem para ela é igual à deles: trabalhar na fábrica, morar nessa cidade chinfrin, casar com um rapaz e ter muitos filhos…

0 comentários:
Postar um comentário