Capítulo 7

31 de maio de 2010

Rafael esfrega as mãos suadas enquanto anda de um lado para o outro da sala. Pedro está sentado num sofá perto da mesa pensando no rumo que essa estória vai tomar se por acaso o prefeito Mateus desistir da venda…

__Que lugarzinho horroroso! – exclama Bruna enquanto senta ao lado de Pedro – Um bando de ignorantes, mal agradecidos! O papai devia exterminar esse povo!

__Estão no direito deles, Bruna. São funcionários da fábrica e têm direito de saber o que vai acontecer com eles! – fala Pedro.

__Você tá do lado deles?…

__Eu não tô do lado de ninguém.

__Pois devia estar. – diz Álvaro entrando na sala nesse instante – Devia estar do meu lado, filho. Do nosso lado.

__Essa situação é muito complicada, Álvaro… Tem que ser muito bem pensada, prá não tomar nenhuma decisão errada… – fala Rafael completamente vacilante…

__Pelo jeito você não conversou com seu filho sobre o nosso acordo.

__Bem, eu…

__A sua situação no Rio é muito mais complicada e grave do que a minha aqui!… Imagino que Pedro deve estar a par dos problemas com o restaurante e com aquele seu ex-empregado… E deve saber também que você pode ser preso a qualquer momento por causa da comida estragada que serviu no restaurante e que quase matou três clientes… – Álvaro sorri – A dívida do seu pai é muito grande e os credores também querem a sua cabeça! Isso é que dá comprar comida de baixa qualidade prá faturar mais! – ele dá uma piscada para Rafael e segura a mão da filha – Mas tudo bem, meu amigo. Eu estou disposto a te salvar da cadeia e do vexame! Você entende agora, Pedro? Eu tenho os recursos prá livrar a cara do seu pai e salvar sua família da miséria e do escândalo… Mas é claro que isso tem um preço.

__Por favor, Álvaro… Deixe que eu converso com o Pedro sobre isso depois. – diz Rafael com uma voz fraca e trêmula.

__Eu entendi tudo, Álvaro. – fala Pedro – Eu devo casar com a sua filha prá salvar os negócios da minha família…

__Nossa! Isso é tão romântico! Parece aquelas estórias de amor da época medieval! – fala Bruna com uma risadinha de entusiasmo.

__Eu tenho vinte e dois anos, Álvaro. Não tô preparado prá casar agora… E acho que a Bruna também não tá. – diz Pedro sem muita confiança.

__Claro que tô! Preparadíssima, meu amor! Eu quero casar com você e tô mais do que preparada prá isso! – ela o beija no rosto.

__A questão não é se você está ou não preparado, Pedro… A questão é que seu pai vai prá cadeia se você não casar. – declara Álvaro, revelando uma frieza que Pedro desconhecia…

__Meu Deus! Álvaro, eu me entendo com meu filho! – as palavras de Rafael saem sem força tamanho o seu nervosismo…

__Você não explicou a ele, não é? Não disse a realidade da sua situação?… Se tivesse dito, ele não estaria tão resistente assim!…

__Olha, Álvaro… Eu não quero ser indelicado com você, mas essa estória de casamento  tem de ser resolvida entre nós, Bruna e eu. – fala Pedro levantando já irritado com essa conversa.

__A decisão é sua, filho! Se prefere ver seu pai na cadeia, sua família envolvida num escândalo, na miséria… A decisão é sua, Pedro. Eu estou disposto a saldar as suas dívidas e limpar sua reputação no cenário gastronômico. E dou a mão de minha filha como garantia dessa transação…!

__Pai! Que jeito de falar! Como se eu fosse uma mercadoria! – reclama Bruna.

__A mercadoria sou eu. – diz Pedro – Eu vou pro meu quarto. Depois a gente conversa, pai.

__Pedro…! 

 

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