Capítulo 34

9 de setembro de 2010

__Fogo! Fogo! O galpão tá pegando fogo! Acode aqui, gente!

Um homem corre pelas ruas da cidade gritando desesperado. Uma nuvem de fumaça surge no céu vinda dos lados da antiga fábrica de doces…

__É verdade…! O galpão tá pegando fogo, minha gente! – fala um rapaz apontando para a fumaça.

__Caramba! Aquela não é a filha do seu Álvaro?… – diz uma senhora.

__É sim… E o que ela tá fazendo toda suja desse jeito aqui na rua…?

Bruna caminha devagar, cambaleante, pelas ruas, suas roupas estão sujas e chamuscadas… De repente, ela cai. Algumas pessoas a socorre.

__Dona Bruna, o que aconteceu? – alguém pergunta.

__O fogo… O galpão… Colocaram fogo… – a voz dela é fraca e seu rosto está suado e pálido… – Colocaram fogo no galpão…

__Meu Deus! Mas quem faria uma loucura dessa?

__E a senhora tava fazendo o quê lá?…

Nesse momento, o prefeito Mateus aparece acompanhado por seguranças.

__Santo Deus, o que aconteceu com você, Bruna?!?

__O fogo… No galpão…

__Botaram fogo no galpão da fábrica, seu prefeito! E a moça tava lá dentro…! Fazendo o quê eu não sei…!

__Bruna, vou te levar prá fazenda. – ele se volta para um dos seguranças – Você, chame o delegado e os bombeiros! Os outros me acompanhem!

O prefeito coloca Bruna no carro com a ajuda dos seguranças enquanto uma multidão se acotovela querendo saber do acontecido. Bruna parece ter desmaiado, pois ficou quieta a viagem inteira até a fazenda do prefeito…

Assim que entram na casagrande, Álvaro e Raquel acolhem a filha, muito assustados.

__O que diabos aconteceu, prefeito? – quer saber Álvaro.

__Parece que a sua filha foi testemunha de um crime, dr.Álvaro…

__Como assim?

__Incendiaram o galpão da velha fábrica. E a Bruna estava lá. Fazendo o quê eu não sei.

__Minha filha, fale alguma coisa!… – diz Raquel desesperada.

__Melhor levá-la pro quarto.

Então, Pedro e Natália chegam.

__O que aconteceu? – quer saber Pedro.

__Um incêndio no galpão da antiga fábrica de doces… Sua noiva estava lá na hora… – explica o prefeito.

__Como assim estava lá? O que ela…

__Pedro… – a voz fraca de Bruna – Pedro…

__Bruna, o que foi que houve?

__O fogo… No galpão… – ela tosse, a respiração pesada – Eu quase morri… Quase morri… Colocaram fogo e eu quase morri…

__Quem colocou fogo? E o que você estava fazendo naquele lugar?

Bruna senta no sofá com dificuldade e segura a mão de Pedro.

__Eu pensei que fosse morrer…! Foi horrível!

__Você viu o criminoso? – pergunta o prefeito.

__Prefeito, pare com isso! Pode ter sido um acidente! – diz Pedro.

__Eu… Fui me encontrar com a Júlia. – ela diz.

__O quê?

__Ela marcou comigo no galpão, queria falar sobre vocês, Pedro… Eu… Eu fui. Começamos a discutir, ela me agrediu… Eu disse que não tinha mais conversa e fui até o portão… – Bruna começa a chorar e a tossir, levando a mão ao peito – Ela… Ela trancou o portão… E me deu um soco…! Eu acho que desmaiei porque quando abri os olhos o lugar já estava em chamas…

__Que horror…! Essa garota é uma praga! – fala Álvaro revoltado – Precisamos dar um corretivo nela!

__Calma, Álvaro! Não se precipite. – diz Pedro – Pode não ter sido bem assim… Bruna pode ter confundido as coisas…

__Ela queria me matar. Ela estava cheia de ódio, Pedro! Ficou com raiva porque eu disse que você não cairia mais nas armadilhas dela… E que… Que a gravidez dela é uma farsa, que ela não tá esperando filho nenhum seu… – a voz dela ainda é trêmula e fraca…

__O quê?!? Aquela infeliz tá grávida?! E diz que o filho é do meu filho?! – Natália fica enlouquecida! – Que imunda essa garota é! Uma vagabunda de última categoria!

__Por favor, mãe!… – diz Pedro ainda sem entender direito o que está acontecendo… – Sem acusações!

__A Júlia me prendeu lá… Acho que ela queria me matar e se matar também porque… Ela estava lá quando eu saí… Não sei o que aconteceu, mas a Júlia ficou lá desmaiada… Eu consegui sair daquele inferno a tempo…!

__A Júlia ainda está no galpão? – quer saber o prefeito.

__Sim. Quando eu sai, ela estava lá ainda.

__Talvez esteja morta. – fala Raquel.

__Deus te ouça, mulher! – retruca Álvaro – Aquela infeliz já atrapalhou demais a nossa vida!

Pedro se afasta devagar. Está chocado. Não consegue acreditar que Júlia seja capaz de uma maldade como essa! Não consegue sequer visualizar a cena… Não, decididamente não acredita nisso…!

__Você pode ter se enganado, Bruna. – ele diz depois de uns instantes pensativo – Não viu direito, achou que era a Júlia… Pode ter sido outra pessoa, algum marginal, um desocupado, qualquer pessoa…!

__Um desocupado… – Bruna olha para Pedro – Ela trancou o portão por dentro. Trancou por dentro! E o fogo começou a crescer no galpão… Não tinha mais ninguém além de nós naquele maldito galpão! – ela grita descontrolada – Eu podia estar morta agora! E você ainda defende essa vadia, Pedro! Eu sou a vítima e não ela!

Raquel abraça a filha na tentativa de acalmá-la. Álvaro segura Pedro pelo braço e diz:

__Se o que Bruna diz for mesmo verdade, reze prá que aquela sujeita tenha morrido no incêndio. Porque se ela sobreviver e for mesmo culpada, eu vou meter a safada na cadeia e jogar a chave fora!

__Álvaro, vamos com calma…

__Você é o responsável por essa tragédia toda, rapaz! O único responsável! Deve aguentar as consequências dos seus atos agora.

__O delegado vai averiguar tudo, dr. Álvaro. Ele já está no galpão investigando tudo. – fala o prefeito.

__Não tô falando de policiazinha de merda, prefeito. Tô falando de “peixe grande”, com poder suficiente prá varrer essa cidade e seus malditos habitantes da face da Terra!

__Eu sei, doutor…

__O senhor dê o seu jeito prá que essa estória se resolva a meu favor. Entendeu?

__Pode deixar, doutor. Pode deixar por minha conta. Eu vou agir.

__Álvaro, pelo amor de Deus, não faça nenhuma loucura… Não seja injusto…! – diz Pedro.

__Você ouviu o que minha filha disse, rapaz? Ela ficou presa num galpão em chamas! E foi aquela desclassificada quem fez isso!

__Não temos certeza ainda!

__Eu tenho. – fala Bruna – Eu tenho certeza. Ela estava lá, trancou por dentro, colocou fogo em tudo… Só não contava que eu me safasse. Ela está lá, o delegado vai achar a infeliz nos escombros…! – Bruna se levanta cambaleando e se apoia na mãe – Eu quero tomar um banho e trocar essa roupa… Quero dormir um pouco.

Pedro não consegue dizer mais nada. Sua mente ainda está procesando isso…! De repente, de menina doce e ingênua, Júlia passa a ser fria e perigosa… Não dá para acreditar. Ou melhor, ele não quer acreditar nisso.

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