Pedro anda de um lado para o outro do quarto, irritado, indignado e confuso. Será possível que sua vida se transformou numa sucessão de erros? Não reconhece mais Júlia como a mulher que amou um dia, o grande amor da sua vida… Esta Júlia que se apresenta agora, tão fria, egoísta, gananciosa e vulgar, nada tem a ver com a garota meiga, alegre, ingênua e romântica que conheceu!…
Bruna foi atendida pelo médico local e está sedada agora. Álvaro e Raquel estão desesperados, cheios de ódio, clamando vingança contra Júlia… Já Rafael e Natália se mostram indignados, revoltados, mas ainda na duvida sobre o incêndio. Apenas uma pessoa acredita na inocência de Júlia nessa estória toda: Paula.
__Isso é ridículo, Pedro! – fala Paula – Pegaram essa coitada prá cristo, é óbvio! Ela é vítima nessa estória, como você, meu irmão!…
__Por favor, Paulinha… Eu preciso pensar um pouco.
__Esse é o teu grande mal! Você pensa muito, Pedro! Não tem muito o que pensar nessa estória, meu irmão. Júlia é inocente sim! Alguém pôs fogo no galpão, mas não foi ela.
__E quem foi então?
__Bruna.
__Ora, tenha dó, Paula! Porque Bruna faria isso?
__Por sua causa, é claro! Ela te adora, Pedro. Tá com medo de te perder. Vai fazer qualquer coisa prá ficar contigo…
__Que bobagem!… Bruna tem mil defeitos, mas não seria capaz de cometer um crime como esse.
__E Júlia seria?
__Eu não disse isso. Apenas acho que essa estória tá muito confusa e mal contada. Não dá prá acusar ninguém ainda…
Paula levanta do sofá e caminha até a porta.
__Eu vou saber o que tá rolando na cidade, ver essa estória de perto. Acho que você deveria ir também. – ela diz e sai do quarto.
Pedro suspira e senta na beira da cama. Sim, precisa ver de perto, ter certeza… E se Júlia tiver morrido como disse Bruna?… Deus, ele não vai suportar isso…! Se ela estiver morta, Pedro nunca saberá o outro lado dessa estória… Sim, ele vai até a cidade, quer ver o tal galpão e tudo mais… Quer ver com seus olhos o que aconteceu.

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