Capítulo 36

12 de setembro de 2010

Uma multidão se aglomera na trilha que leva ao galpão da antiga fábrica de doces. Um carro da polícia e outro dos bombeiros estão parados na entrada, enquanto o prefeito, Álvaro Agostine e um investigador conversam sobre o incêndio.

Perto dali, estão Pedro e Paula, ainda sem acreditar no ocorrido. Uma ambulância aguarda enquanto os bombeiros tentam resgatar Júlia dos escombros… Mas a dúvida é: estará viva ou morta?… Pedro não quer nem pensar nessa possibilidade.

__Não havia muito do galpão. O pouco que existia o fogo consumiu rapidamente. – explica o chefe dos bombeiros.

__Mas e a moça que tá lá dentro?

__Se tinha alguém lá dentro, eu lamento… Como eu disse, não sobrou nada da velha fábrica.

__Mas e a moça? Ela pode ter sobrevivido, não pode? – pergunta Pedro muito aflito.

__Os homens estão procurando. Mas acho que se havia alguém no galpão, provavelmente está morto…

__Meu Deus…! – murmura Paula. – Pobre Júlia!…

Pedro está paralisado, completamente em choque. Não pode ser verdade! Não pode…! Neste momento, um grupo de bombeiros sai do galpão.

__Encontraram alguma coisa? – pergunta o delegado se aproximando.

__Encontramos, delegado. Tem um corpo lá dentro… – diz o bombeiro – Não dá prá identificar…

__Meu Deus, que horror! – Paula exclama abraçando o irmão – É a Júlia…

Pedro fecha os olhos sentindo um frio passar por seu corpo. Que pesadelo terrível é esse que está vivendo?… Como as coisas chegaram a esse ponto?… Seu desespero se iguala a sua dor…

__Melhor avisar os pais dela. – diz o prefeito Mateus – Isso vai ser pauleira…!

__Prá mim o assunto está encerrado. – fala Ávaro – Satisfatoriamente.

__Pois eu acho que este assunto só está começando, doutor Álvaro… – retruca o delegado – Porque se foi um incêndio criminoso, as coisas vão se complicar. Eu preciso ouvir o depoimento da sua filha.

__É claro que foi criminoso! Aquela garota diabólica tentou matar minha filha, delegado! E eu não acho que seja necessário ouvir o depoimento dela agora. Bruna está muito abalada, traumatizada, precisa se recuperar primeiro.

__Claro, claro… Posso esperar uns dias prá tomar o depoimento dela.

__E quanto a Júlia, delegado? – quer saber Paula – O senhor acredita que ela fez isso?

O delegado coça a barbicha e olha para Álvaro e depois para o prefeito antes de responder.

__Bem… Por enquanto só temos a afirmação da senhorita Bruna de que Júlia teria colocado fogo no galpão com o objetivo de matá-la… Tudo indica que o corpo carbonizado lá dentro seja de Júlia… Portanto, não dá prá ter certeza de nada… Precisamos ouvir outras pessoas envolvidas, como o seu irmão, por exemplo.

__Eu? Não posso ajudar, delegado. – ele consegue dizer – Eu nem sabia que Bruna e Júlia tinham se encontrado.

__Bem, você teve um romance com a moça, não teve?

__O negócio é o seguinte, Valdo… – diz Álvaro – Não acho que seja bom envolver o rapaz nisso. Como ele mesmo disse, não sabia do encontro delas. Pedro tá noivo de minha filha e eu acho muito constrangedor para ele tomar parte nessa estória… – ele põe a mão no ombro do delegado – Você também não acha?

__É, olhando por esse ângulo… Vamos concentrar as investigações no incêndio por enquanto. – o delegado está visivelmente intimidado pelo poder de Álvaro…

__Vamos prá casa, crianças. – diz Álvaro – Já sabemos tudo o que precisávamos saber. Vamos embora.

Dentro da cabeça de Pedro só há uma palavra: culpa. A culpa disso tudo ter acontecido é sua… Agora Júlia está morta. Além disso, as acusações que pairam sobre ela são muito graves. Ele está sofrendo, pois é difícil acreditar que Júlia fosse capaz de fazer tanta maldade, de destruir tantas vidas… A começar por aquela estória dela pedir dinheiro para ficar longe de Pedro. Depois, a gravidez e mais chantagens para manter-se afastada da vida dele. E por último, essa coisa horrível no galpão…

Se tudo isso é verdade ou mentira, ele nunca saberá. O que sabe é que nunca mais será o mesmo depois de tudo isso o que aconteceu. Ele volta para a fazenda quieto, sem dizer uma palavra. E permanece assim o resto do dia… Trancou-se no quarto e ficou em silêncio, tentando dar ordem aos seus sentimentos. Tudo está tão misturado dentro dele, que nem sabe mais o que sente…! Raiva, decepção, revolta, culpa, amor, tristeza, tudo parece uma coisa só dentro dele…

0 comentários:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.