Capítulo 44

2 de novembro de 2010

Pedro observa o sogro, que anda de um lado para o outro da sala como se fosse uma fera enjaulada. Álvaro tem motivos para estar nervoso. Um dos empresários mais ricos do mundo, Benito Rivera vem ao Brasil participar do Festival de Gastronomia. O homem é simplesmente o “rei” da culinária internacional, com uma rede de restaurantes espalhada pelo mundo, várias fábricas de alimentos industrializados, escolas de gastronomia e hotéis…!

Álvaro está preocupado porque a presença de Benito no Brasil talvez não seja apenas para participar de um evento… Talvez seja para fazer negócios. Isso é preocupante para um homem cuja empresa não estálá tão bem assim… Pedro sabe disso. A parceria de seu pai com Álvaro revelou-se, ao longo desses sete anos, um tanto desastrosa. Álvaro é um empresário experiente e esperto, com certa malícia e algumas vezes (muitas vezes!) cruel nos negócios. Já Rafael sempre foi atrapalhado, querendo dar um passo maior do que as pernas, ambicioso, mas sem traquejo para os negócios… Claro que Álvaro conhece Benito, não pessoalmente, mas conhece a fama dele e o imenso império que ele possui e que a cada dia cresce mais. Isso é preocupante sim!

__Quer ficar calmo, Álvaro? O mundo não vai acabar só porque Benito Rivera vem ao Brasil!

__Você também devia estar preocupado, Pedro! Esse cara tá a fim de fazer alguma coisa por aqui…! Acho que ele quer comprar algumas empresas.

__Acho isso bom. Benito é um empresário de sucesso, respeitado… Qualquer um que venda sua empresa prá ele vai estar fazendo um bom negócio.

__Meu Deus…! De que planeta você veio,Pedro?! Só falta dizer que Papai Noel existe! – Álvaro senta de repente num sofazinho – Eu não quero vender pro espanhol! Se ele me procurar e fizer alguma proposta não vou aceitar!

__Se você acha que não deve aceitar, não venda. Mas não creio que ele se interesse por seus restaurantes, Álvaro.

__Como assim? Por que não?

__Existem outras empresas neste país com sérias dificuldades… Acho que ele vai querer um restaurante que esteja às portas da falência prá comprar. O que não é o seu caso, claro.

__Bem, não é não. Mas as coisas estão um pouco confusas, você sabe… O mercado tá muito competitivo… Antigamente, eu reinava absoluto com meus rstaurantes e fábricas…! Agora, existem dezenas de outras empresas tão fortes quanto as minhas nesse ramo!

__Ah, então o problema é esse! Tá com medo de perder sua coroa de rei dos restaurantes?… Que bobagem, Álvaro! – ele ri, acho graça da forma meio infantil como o sogro vê a situação…

__Não é bobagem! Sua vida de príncipe se deve unicamente ao meu reinado, caro genro! – o tom não é nada amistoso… – E prá que você permaneça assim, como um príncipe, eu preciso continuar como rei!

__Eu não me preocupo com isso, Álvaro. Não acho que seja um “príncipe”, nem pedi prá ser em momento algum. Embora sua filha goste de levar uma vida de “princesa”, eu continuo como um simples plebeu.

Álvaro dá uma risada.

__Isso é uma piada ou o quê?!? Você não casou com minha filha pelos lindos olhos azuis dela! Casou por causa da merda que seu pai fez! Prá livrar a sua família do escândalo e da miséria, isso sim! – ele se levanta e se aproxima dele – Esse foi o motivo deste seu casamento, Pedro. E não me diga que foi por amor porque eu sei muito bem que não foi.

__Eu amo Bruna. E procuro manter esse casamento em harmonia, em paz. Faço o que posso prá que ela seja feliz. – a resposta dele não convence nem a ele mesmo…

__Tudo bem, isso é problema seu com Bruna. Mas não venha com essa conversa de que ama Bruna prá cima de mim! Por mim tanto faz o que você sente ou finge sentir por ela… O que me importa realmente é que ela seja feliz. Mas veja bem, rapaz: não ouse magoar minha filha.

__Eu nunca faria isso.

__Espero mesmo que não. Bom, agora eu vou fazer umas ligações prá saber quando o maldito espanhol chega!

Pedro já percebeu que Álvaro não está muito satisfeito com o jeito que seu casamento vai. Claro que Bruna já chorou no ombro dos pais, contando tudo o que se passa… E claro que ela exagerou na dose, como sempre! Mas ele não quer que os sogros se metam em sua vida conjugal. Já basta os “conselhos” desastrosos de seu pai…!

Houve um tempo em que Pedro pensou em separar-se de Bruna. Achou que seria a melhor solução para uma relação desgastada e conflitante como a sua… Mas depois voltou atrás e achou melhor tentar levar até o fim. Não apenas por causa de Bruna, mas por sua causa também. O maldito sentimento de culpa que não o larga…! Ainda se culpa por uma série de coisas que aconteceram em sua vida no passado. De vez em quando ele pensa em Júlia e em tudo o que houve entre eles… Mas passado é passado, não volta mais.

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