Capítulo 43

26 de outubro de 2010

Rio de Janeiro,1999.

O dia hoje promete ser agitado. O Festival Internacional de Gastronomia deste ano será realizado no Típico’s. E quem está a frente da organização é Pedro Moura, dono do simpático restaurante na Gávea.

Aliás, o Típico’s é um dos quatro restaurantes que Pedro abriu com a ajuda do sogro e que têm garantido o sustento da família Moura… Porque se dependesse de Rafael, estariam na mais profunda miséria!… Depois de quase ir para a cadeia há sete anos atrás por causa de suas falcatruas e trapalhadas, Rafael Moura andou metendo os pés pelas mãos mais uma vez e teve de vender seu restaurante, a escola de gastronomia e acabou na dependência financeira do filho.

Claro que ele tinha um cargo importante nas empresas de Álvaro Agostine, e foi graças à este cargo que as coisas não desandaram de vez. Pedro assumiu a vice-presidência das fábricas do sogro, mas mostrou-se sem muita fibra para tocar os negócios… Preferiu dedicar-se aos catálogos gastronômicos e ao seu restaurante Típico’s. Para desespero de sua esposa Bruna.

O Típico’s ficou conhecido pelos eventos gastronômicos que promove sempre e também pela comida simples e saborosa que oferece. Mas decididamente o restaurante não sobreviverá muito tempo nesta selva que é o mundo dos negócios… Pedro não tem o menor talento para adiministrar uma empresa!… O que deixa Bruna muito irritada e indignada.

O casamento de Pedro e Bruna tem resistido nesses sete anos unicamente por conveniência. Sim, Pedro gosta dela, faz o possível para conviverem bem, em harmonia.

__Você podia ter recusado essa coisa, Pedro! – diz Bruna enquanto penteia os cabelos – Tanto restaurante, tanto centro de convenções por aí e vão escolher justo o seu prá montar esse circo?!

__Eu sugeri que fosse feito no Típico’s este ano. – ele comenta muito calmamente sem deixar de ler o jornal – Acho que é uma excelente promoção pro restaurante.

__O quê?! Você sugeriu? Meu Deus, você é mais idiota do que eu pensei! Quem precisa dessa coisa prá promover um restaurante, Pedro? O nível do Típico’s é péssimo! Ninguém importante frequenta o Típico’s! Poderia ter excelentes fregueses, a alta sociedade carioca comendo todos os dias lá…! Mas não. Você prefere a gentalha, essas pessoinhas ridículas do meio artístico!

__Bruna, por favor. Não vamos brigar por causa disso agora!

__Não vamos brigar, tudo bem. Nós nunca brigamos, não é?…

__É, isso é bom num casamento.

Bruna dá uma gargalhada.

__Isso é bom num casamento! Não, isso não é bom num casamento! Isso é péssimo! Nunca brigamos, você e eu! Eu brigo, eu reclamo, questiono, recuso! Só eu fico gritando ao vento, Pedro. Perguntando sem receber resposta.

__Bruna, você sabe que eu faço o possível prá dar certo…

__Mas não faz o impossível! Faz o possível, mas não o impossível, Pedro.

__Bruna, por favor…

__Faz o que você quiser naquele maldito boteco! Eu tô fora! – ela diz e joga a escova no chão saindo do quarto.

Não faz o impossível. Porque o impossível não é possível fazer. Não para Pedro. Mas ele tem sido um bom marido, acredita que sim. Mesmo não sendo perfeito como Bruna gostaria que fosse. Ele segura este casamento como pode, tenta controlar as coisas, não quer se separar de Bruna.

Bem, o amor profundo e incondicional, cheio de romance e desejo, que ele esperava que acontecesse, não aconteceu… Dentro dele as coisas ficaram um tanto mornas em relação a Bruna. Seu amor por ela equivale a uma pequena e tênue chama, tremulando constante em seu coração… Não é uma fogueira de chamas ardentes e vigorosas, queimando seu peito…! E do jeito que vai, tende a tornar-se uma fagulha. 

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