Anadyr parece mesmo encantada por Caiçara. Ela tira foto de tudo o que vê e faz anotações em um bloquinho. Além disso, faz perguntas aos funcionários da fábrica e aos moradores sobre a cidade… Rafael não está gostando nem um pouco disso! Ele não é benvindo a cidade e quer voltar o quanto antes para o Rio.
__Este lugar é o máximo! Estou adorando conhecer esta cidade! – diz a mulher – Parece um lugar ótimo prá se viver! Tirando, claro, os acontecimentos ruins do passado…
__Passado é passado. Eu não ligo pro que essa gentalha pensa de mim!Meu filho foi envolvido por aquela miniprostituta e sua corja…! Mas a justiça foi feita. Podemos voltar pro hotel, Anadyr?
__Claro, tudo bem. Ah, eu já estava esquecendo: Benito ligou ontem à noite e deu uma sugestão para o nome da fábrica.
__Mesmo? Ele escolheu um nome?
__Sim. Quer saber qual?
__Diga lá!
__A sugestão é “Meu Docinho”. Não é bonitinho?
__”Meu Docinho”? Só isso?
__Como assim só isso?!
__Bem, eu esperava algo mais chique, mais estiloso… “Meu Docinho”!…
__Você não gostou?
__Sim, gostei. Mas é que parece simples demais…
__Meu querido, essa é a idéia! Simplicidade! O nome é muito apropriado, Rafael! Combina com o jeito artesanal da fábrica, com essa coisa de “feito em casa” que a meu ver e de Benito também, é muito charmosa!
Rafael dá um sorrisinho amarelo.
__É, olhando por esse ângulo… Até que soa bem.
__Então você aprova?
__Claro, claro. Aprovadíssimo!
__Então posso contar a Jaila que o novo nome será esse?
__Quem é Jaila?
__A esposa de Benito. Na verdade, o nome foi coisa dela. Jaila é muito criativa, inteligente… Uma ótima pessoa! Você vai gostar dela, Rafael.
__Benito pretende vir ao Brasil?
__Ainda este ano, se tudo correr bem. Poderá conhecê-lo pessoalmente. – ela sorri e dá o braço a ele – Acho que vocês vão se dar muito bem!
Depois de mais dois dias em Caiçara, Anadyr e Rafael voltaram para o Rio. Ele, aliviado e ela, encantada. mas Rafael ficou animado em saber que Benito virá ao Brasil. Ter a amizade de um dos homens mais poderosos do mundo é tudo o que ele queria na vida…!
Assim que chega a casa, Rafael conta as novidades para a família. Natália e Bruna adoraram saber que conhecerão Benito. Pedro também ficou animado, mas não com a mesma intensidade que seu pai e sua esposa…
__Imaginem que o Benito já mudou o nome da fábrica…! – conta Rafael enquanto se serve de uma dose de uísque.
__Jura? E ele pode fazer isso? – pergunta Bruna.
__Meu amor, com a fortuna que tem ele pode tudo! – comenta Natália.
__Ele escolheu um nome muito chinfrin! Mas quem sou eu prá criticar…?
__Como vai chamar a fábrica?
__Preparem seus ouvidos! “Meu Docinho”! Não é ridículo?!
Pedro tem um sobressalto. Que estranha coincidência… Ele chamava Júlia de “meu docinho”!… E ela dizia que um dia abriria uma lojinha de doces e colocaria o nome de “meu docinho”…
__Ei, Pedro! Tô falando com você, filho! Tá em que planeta?
__Hã?… O que você disse, pai? Eu… Porque o Benito escolheu esse nome? – ele tenta disfarçar seu nervosismo…
__Sei lá! Acho que foi idéia da mulher dele… Uma coisa assim. Mas é uma porcaria de nome!
Que bobagem. É só uma coincidência, nada mais. Benito não tem como saber de sua estória com Júlia. Pedro sacode a cabeça e resolve não pensar mais nisso.
Mas acaba pensando em Júlia. E é horrível porque são lembranças maravilhosas, de uma época em que foi extremamente feliz… Pedro às vezes gostaria de voltar no tempo. De voltar a estar com Júlia, de sentir-se seguro e amado, do amor que sentia por ela…
Quando pensa nessas coisas, não tem como evitar a comparação entre Júlia e Bruna. Há um abismo de diferenças entre elas. E Pedro, bem no meio desse abismo.

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