Capítulo 63

22 de janeiro de 2011

Anadyr parece mesmo encantada por Caiçara. Ela tira foto de tudo o que vê e faz anotações em um bloquinho. Além disso, faz perguntas aos funcionários da fábrica e aos moradores sobre a cidade… Rafael não está gostando nem um pouco disso! Ele não é benvindo a cidade e quer voltar o quanto antes para o Rio.

__Este lugar é o máximo! Estou adorando conhecer esta cidade! – diz a mulher – Parece um lugar ótimo prá se viver! Tirando, claro, os acontecimentos ruins do passado…

__Passado é passado. Eu não ligo pro que essa gentalha pensa de mim!Meu filho foi envolvido por aquela miniprostituta e sua corja…! Mas a justiça foi feita. Podemos voltar pro hotel, Anadyr?

__Claro, tudo bem. Ah, eu já estava esquecendo: Benito ligou ontem à noite e deu uma sugestão para o nome da fábrica.

__Mesmo? Ele escolheu um nome?

__Sim. Quer saber qual?

__Diga lá!

__A sugestão é “Meu Docinho”. Não é bonitinho?

__”Meu Docinho”? Só isso?

__Como assim só isso?!

__Bem, eu esperava algo mais chique, mais estiloso… “Meu Docinho”!…

__Você não gostou?

__Sim, gostei. Mas é que parece simples demais…

__Meu querido, essa é a idéia! Simplicidade! O nome é muito apropriado, Rafael! Combina com o jeito artesanal da fábrica, com essa coisa de “feito em casa” que a meu ver e de Benito também, é muito charmosa!

Rafael dá um sorrisinho amarelo.

__É, olhando por esse ângulo… Até que soa bem.

__Então você aprova?

__Claro, claro. Aprovadíssimo!

__Então posso contar a Jaila que o novo nome será esse?

__Quem é Jaila?

__A esposa de Benito. Na verdade, o nome foi coisa dela. Jaila é muito criativa, inteligente… Uma ótima pessoa! Você vai gostar dela, Rafael.

__Benito pretende vir ao Brasil?

__Ainda este ano, se tudo correr bem. Poderá conhecê-lo pessoalmente. – ela sorri e dá o braço a ele – Acho que vocês vão se dar muito bem!

Depois de mais dois dias em Caiçara, Anadyr e Rafael voltaram para o Rio. Ele, aliviado e ela, encantada. mas Rafael ficou animado em saber que Benito virá ao Brasil. Ter a amizade de um dos homens mais poderosos do mundo é tudo o que ele queria na vida…!

Assim que chega a casa, Rafael conta as novidades para a família. Natália e Bruna adoraram saber que conhecerão Benito. Pedro também ficou animado, mas não com a mesma intensidade que seu pai e sua esposa…

__Imaginem que o Benito já mudou o nome da fábrica…! – conta Rafael enquanto se serve de uma dose de uísque.

__Jura? E ele pode fazer isso? – pergunta Bruna.

__Meu amor, com a fortuna que tem ele pode tudo! – comenta Natália.

__Ele escolheu um nome muito chinfrin! Mas quem sou eu prá criticar…?

__Como vai chamar a fábrica?

__Preparem seus ouvidos! “Meu Docinho”! Não é ridículo?!

Pedro tem um sobressalto. Que estranha coincidência… Ele chamava Júlia de “meu docinho”!… E ela dizia que um dia abriria uma lojinha de doces e colocaria o nome de “meu docinho”…

__Ei, Pedro! Tô falando com você, filho! Tá em que planeta?

__Hã?… O que você disse, pai? Eu… Porque o Benito escolheu esse nome? – ele tenta disfarçar seu nervosismo…

__Sei lá! Acho que foi idéia da mulher dele… Uma coisa assim. Mas é uma porcaria de nome!

Que bobagem. É só uma coincidência, nada mais. Benito não tem como saber de sua estória com Júlia. Pedro sacode a cabeça e resolve não pensar mais nisso.

Mas acaba pensando em Júlia. E é horrível porque são lembranças maravilhosas, de uma época em que foi extremamente feliz… Pedro às vezes gostaria de voltar no tempo. De voltar a estar com Júlia, de sentir-se seguro e amado, do amor que sentia por ela…

Quando pensa nessas coisas, não tem como evitar a comparação entre Júlia e Bruna. Há um abismo de diferenças entre elas. E Pedro, bem no meio desse abismo. 

 

0 comentários:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.