Não chegou a ser uma separação. Bruna foi para a casa dos pais e por lá ficou uma semana. Nesse tempo, Pedro pensou muito em sua vida, principalmente em seu casamento. Talvez tenha casado muito cedo, jovem demais para assumir tal responsabilidade.
Talvez se tivesse filhos as coisas seriam diferentes, melhores. Ele sempre quis ter filhos. Bruna não. No início, ela até se animou. Mas com o tempo foi mudando de pensamento e simplesmente “deletou” a maternidade de sua vida… Argumentava que “não estava pronta para ser mãe”, mas a verdade é que ela nunca quis.
Uma semana longe de Bruna e ele pode perceber que não sentiu falta dela. Sentiu falta da rotina do casamento, da convivência do dia-a-dia. Mas não sentiu falta da mulher, da esposa, da amante… Muito menos da companheira. Será que é assim que acontece quando o amor acaba?
Pedro não sabe se quer continuar casado com Bruna. Mas também não quer terminar o casamento assim sem mais nem menos.
__Como é?!? Separação?! Ficou louco, Pedro? – diz Natália horrorizada.
__Mãe, não tá dando mais certo…
__Tá sim! Tá dando certo sim! Tá dando certíssimo, meu filho! Olha o que nós conseguimos nesses anos com o seu casamento!… Você tem um bom restaurante, é genro de Álvaro Agostine! E por causa do seu casamento hoje seu pai tem uma posição privilegiada nas empresas de Benito Rivera!
__Mãe, eu tô falando do meu casamento com a Bruna. Não tô falando de negócios.
__Mas é um negócio, meu amor! Você sabe o que esse casamento representa prá nossa família? A salvação da nossa lavoura! Se você se separar da Bruna, não vai ser bom prá nós. Principalmente prá você, filho.
__Isso não é um negócio, mãe. É a minha vida.
__Meu filhinho querido, acho que não deve se separar. E não falo por causa da nossa família. Falo por você, Pedro. Eu sei que não ama Bruna, que não sente aquela paixão por ela… Mas sei que gosta dela e que esse carinho pode um dia virar amor.
__Um dia? Um dia quando, mãe? – isso é quase uma confissão… – Não é assim que acontece, mãe. Sabe que não é assim. Não existe essa de “um dia”, “com o tempo”!
Pedro ainda precisa pensar. Essa decisão é muito séria e importante. Aliás, ele é o rei da indecisão…! Mais uma vez, não quer agir impensadamente para não prejudicar ninguém.

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