Júlia está arrasada. O que sente neste momento é culpa. Por sua causa, sua família mais uma vez foi humilhada… Por sua causa seus pais e seus irmãos foram expulsos da cidade pelos poderosos…
Por causa dos seus devaneios infantis, sua obsessão por Pedro, a vida de sua família foi destruída.
Eles tem razão em odiá-la! Muitas vidas foram destruídas por conta da sua paixão por Pedro…! Se não tivesse se envolvido com ele nada disso teria acontecido!
Sua vida também foi destruída. Ela mal consegue pensar direito de tão transtornada!… O incêndio no galpão foi culpa de Bruna, mas a sua ruína é culpa unicamente sua! Júlia chora descontrolada, sendo confortada por Sílvia.
__Ninguém acredita na tua inocência, Júlia. Inclusive o rapaz que você ama. – diz Sílvia – Ele foi embora de Caiçara com a noiva e a família. Dizem que vão casar na capital. Acho que não deve voltar prá lá. Vai ser muito sofrimento prá você, filha. E depois, como é que tu vai aparecer se todo mundo pensa que tu morreu no incêndio?…
__Eu sei… Não posso voltar mesmo. E não quero também. – ela enxuga os olhos e se empertiga – Tô morta, não tenho mais casa, pai, mãe, irmão, irmã… Nem documento, nem roupa, nem nada!… Só tenho uma cova. Então deixa assim como tá, dona Sílvia.
__Júlia…
__A Júlia de Castro tá morta e enterrada. Daqui prá frente existe outra pessoa, com uma outra vida, uma outra estória. É assim que vai ser.
__O que você vai fazer, menina?
__Aproveitar essa segunda chance prá fazer e ser tudo o que eu sempre quis.
__Mas… Como? Como vai viver, te sustentar? Onde vai morar?
__Por enquanto eu queria ficar aqui na sua casa, se a senhora não incomodar.
__Claro que não! Pode ficar quanto tempo quiser, filha.
__Depois que eu tiver sarado de todo, vou prá São Paulo, procurar trabalho, estudar… – ela sorri – A senhora me salvou da morte, não vou esquecer disso é nunca! – beija a mulher no rosto.
__Que Deus te proteja, menina!

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