Capítulo 90

27 de abril de 2011

Lígia de Assis, filha de Sílvia de Assis e Manoel Pimenta. Nascida em Rio Novo, Minas Gerais.

__Endereço atual?

__Pensão Flores, em Montesinhos.

__Último emprego?

__Ajudante de cozinha.

__Com essa idade? Dezessete anos já ajudante de cozinha?

__Em casa de família. Minha família ficou em Rio Novo.

__Seus documentos, por favor.

Um novo nome. Uma nova família. Uma nova estória.

__Sofreu um acidente doméstico?… As cicatrizes…

__Pois é. Fiquei no hospital muito tempo e a patroa botou outra no meu lugar.

__Bem, vamos ver se você dá conta do serviço. O salário é pouco e o serviço é muito!…

__Não tenho medo de trabalho, moço.

__Então vamos lá! Lígia é o teu nome, não?

__Isso mesmo. Meu nome é Lígia.

A periferia da capital de São Paulo é um bom lugar para recomeçar. Depois de longos meses vivendo com Sílvia, Júlia resolveu ir para São Paulo. Graças à ajuda de Sílvia conseguiu ficar na casa de parentes dela e um trabalho.

O trabalho não é grandes coisas, mas o salário é razoável. A vaga de faxineira numa empresa de limpeza foi a única opção que encontrou já que não concluiu seus estudos… Tudo bem. Por agora, está bem assim. Logo retornará aos estudos e terá um emprego melhor.

Está por sua conta agora. Desde que chegou a São Paulo está assustada, solitária no meio de tanta gente estranha… Seu futuro é incerto, agora mais do que nunca. A diferença é que agora ela tem um estímulo para continuar lutando por seu futuro: o seu passado.

Quando a solidão fica muito grande, a saudade dos parentes aumenta, a dor pela perda do filho é mais profunda, ela pensa em seus inimigos. Álvaro Agostine, rico e poderoso, Bruna, arrogante e egoísta, Rafael Moura, ganancioso e mau caráter, o prefeito Mateus, ordinário e corrupto… Seu amado Pedro, fraco, covarde e indeciso…

Pensa que essa gente está muito bem agora, com dinheiro, poder e conforto. Ao passo que ela quase morreu num incêndio, teve queimaduras sérias no corpo, perdeu o filho que esperava, ganhou o ódio e o desprezo dos pais…

Tudo isso lhe dá forças para manter-se firme e determinada em seus objetivos.

Júlia não é mais uma adolescente romântica e sonhadora, cheia de idealismo. Agora ela é adulta, mais realista, centrada e objetiva. Agora ela é Lígia de Assis.

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