Novamente o pesadêlo. Parece tão real!… O fogo, o rosto de Bruna cheio de ódio, a humilhação na fazenda do prefeito… Uma mistura de imagens que a fizeram sofrer… E sempre acorda apavorada, suando, os sentimentos confusos.
E nestes momento, ela sente vontade de partir para a vingança, quer destruir a vida dos que destruíram a sua. Mas depois, já mais calma, desiste da vingança e do ódio.
No entanto, toda vez que se olha no espelho lembra de tudo o que aconteceu. e não dá para evitar a mágoa, a revolta, a tristeza, a decepção… No trabalho encontra força para esquecer ou pelo menos, para não pensar.
Andando pelas ruas de São Paulo, ela pensa no seu futuro. Será que vai conseguir realizar tudo o que planejou? São planos diferentes dos que tinha no passado, é verdade. Agora, ela quer vencer na vida como chef de cozinha, ter sua casa, seu carro e quem sabe até seu restaurante. Claro, queria essas coisas no passado.
Mas agora vê tudo por um outro ângulo. Antes queria casar, ter filhos, trabalhar na capital, montar um pequeno restaurante, ajudar os pais… E viver feliz com seu grande amor.
Hoje, suas prioridades são outras. quer trabalhar, fazer faculdade, ter um excelente emprego, um bom apartamento, um carro, montar um restaurante… E ser feliz. De todas essas coisas, a mais difícil de realizar é ser feliz.
Está assim, perdida em seus pensamentos, quando ouve a freada do carro.
Um tumulto se forma no cruzamento enquanto Lígia olha para o carro parado bem pertinho dela… Nossa, essa foi por pouco!, ela pensa sentindo as pernas bambas. Um homem sai de dentro do carro um tanto aflito e confuso.
__Estás herido? – diz o homem.
Lígia não entende o que ele diz, franze a testa e sente uma dorzinha no joelho esquerdo.
__O quê? Não entendi…
__Si es así, puedo llevarla al hospital. – ele diz, segurando-a pelo braço e conduzindo-a para o carro.
__Não tô entendendo patavina, moço! Dá prá falar sem ser em estrangeiro?
__Quiero ayudar, señorita! – ele abre a porta do carro – Por favor, venga…
__Moço, eu não tô machucada, pode crer! Eu tenho que ir pro trabalho agora! – ela se desvencilha dele e tenta atravessar a rua.
__Puede haber fractura de la pierna!
__Moço, eu tô legal. Eu tenho de ir pro trabalho!… O pessoal do Briddy deve tá esperando…
__Briddy?… – ele sorri de leve – Usted va a Briddy Hotel?
__Ah, é isso mesmo! Conhece o Hotel Briddy?
Ele sorri largamente e praticamente a empurra para dentro do carro.
__Sí, voy allí también! Briddy Hotel?
__Vai me levar no Briddy, é isso?
Pelo sorriso dele, Lígia entende que sim. Bem, menos mal. Mas ela só machucou o joelho um pouquinho, nada demais.
__Tá legal. Vamos pro Briddy.
__Conozco a un médico que lo examinará.
__Minha nossa, dá prá falar em português? Você é americano, inglês, o quê?
__Yo soy español. Mi nombre es Benito. – ele oferece a mão – Y tú?
__Lígia. Muito prazer.
__Es un nombre hermoso!

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