Os empregados. A governanta, uma mulher de cabelos grisalhos, roupas simples, mas de porte elegante… O caseiro, um sujeito calvo, um tanto gordo, de olhar assustado… Jaila dá um sorriso largo ao vê-los entrar no escritório.
__Buenas tardes! Como ustedes saben,yo Jaila Rivera. Me quedaré en Brasil desde hace mucho tiempo. Espero que la relación entre nosotros es bueno. – diz Jaila num espanhol perfeito, num tom absolutamente frio e calmo…
__Esta é Jaila Rivera. – começa a traduzir Anadyr – Ela pretende ficar no Brasil por um longo tempo e espera que a relação entre vocês seja boa.
Jaila se aproxima da governanta e sorri, olhando-a firmemente nos olhos.
__Sí es usted el ama de llaves. Es un placer conocerte personalmente, Natália. – ela se volta para o homem – Y tú eres el portero.
__Eu… Você parece com alguém que conheço… – diz uma confusa Natália.
__En serio? Quién? – pergunta Jaila depois que Anadyr traduz a frase de Natália.
__Ela quer saber quem.
__Uma pessoa, ninguém importante.
__Alguma amiga sua? – insiste Anadyr.
__Amiga? Não, claro que não! Acho que foi só impressão minha, desculpe. – ela olha para Jaila com um sorriso murcho.
__Então você vai ficar por muito tempo no Brasil?… – pergunta Rafael.
__Provavelmente nove ou dez meses. – responde Anadyr. – Talvez mais, dependendo do andamento dos negócios.
__Eu também fiz muitos negócios no passado. – fala Rafael com a voz cheia de amargura e rancor.
__Rafael! – Natália repreende o marido.
__E graças a sua patroa, acabei na miséria!
__Cala a boca, Rafael! – Natália está nervosa.
__Isso mesmo! Fiquei na miséria e tenho que trabalhar prá essa mulher! Ela desgraçou a minha vida!
__Meu Deus, pare com isso! Ainda bem que ela não entende nem uma palavra de português! – Natália tenta sorrir, mas está mesmo nervosa demais para tentar fingir calma…
__Tudo bem, Rafael. Pode desabafar a vontade. – diz Anadyr – Eu não vou falar nada para Jaila. Mas acho que deveria atentar para a realidade dos fatos… Agora você é empregado dela. Nada mais. E se eu fosse você, agiria como tal.
Rafael está ofegante, o rosto vermelho de tanta raiva… Mas os olhos de Jaila estão tranquilos, cheios de segurança… A reação dele parece não tê-la afetado.
__Pueden retirase ahora. Buen trabajo a los dos! – fala Jaila sorrindo.
Natália franze a testa, intrigada antes de abrir a porta do escritório.
__Ela parece mesmo comuma pessoa… Só não lembro quem…!
__É, também senti isso… – murmura Rafael.
assim que eles deixam o escritório Jaila joga-se num sofá e respira aliviada.
__Graças a Deus acabou! Fiquei com náuseas só de vê-los! – ela diz.
__Eles ficaram surpresos! E o Rafael está revoltado com você!
__Não vou ficar mais pobre por causa disso, acredite. Pouco me importa a revolta dele. Quero que faça o seu trabalho direito ou vai pro olho da rua!
__E quanto aos outros?
__Álvaro? Ele virá visitar o amigo como sempre faz… E aí terá uma bela suspresa!
__Cuidado, minha amiga… Muito cuidado prá não se magoar nessa estória!
__Nada mais me magoa, Anadyr. Nada mais me atinge. Eu sei o que estou fazendo. Pode parecer loucura, obsessão, paranóia, sei lá… Mas eu tenho um objetivo e vou fazer de tudo para atingí-lo.

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