De óculos escuros, um vestido coral frente única, cigarro entre os dedos, Jaila recebe seus empregados na varanda com um leve sorriso.
__Vamos esclarecer as coisas. Eu dou as ordens nesta casa. Vocês cumprem. – ela diz em português.
__Sim, senhora. – fala Rafael.
__Se vivem na minha casa, empregados ou não, devem obedecer minhas regras. – ela tira os óculos e olha para Bruna – Se querem continuar morando aqui e desfrutando do conforto desta casa, terão de obedecer minhas ordens. – se levanta e se aproxima de Pedro – Como anda meu restaurante, Pedro?
Ele pisca, nervosamente. Então foi ela quem comprou o Típico’s!…
__Bem, muito bem.
__E você, Bruna? Trabalhar no restaurante também? – o olhar dela é calmo, absolutamente seguro…
__Claro que não! – uma resposta indignada.
__Por que não?
__Porque não. Eu…
__Você sabe cozinhar, Bruna?
A mulher arregala os olhos chocada.
__Não, claro que não!
__Seu pai, seu sogro e seu marido trabalham com gastronomia e você não sabe cozinhar…! – Júlia dá uma risada – Isso é irônico!
__Você também não deve saber. Foi casada com milionário, não deve ter nem passado na porta da cozinha!… – uma resposta desaforada…
__Bruna! – exclama Pedro pressentindo o desastre que está por vir junto com as palavras da esposa…
Júlia fica séria.
__Tem razão, meu marido era milionário. Mas o seu não é. Talvez a cozinheira precise de uma ajudante na cozinha… – ela senta novamente – Chamei-os aqui para dar minhas ordens e quero que sejam cumpridas. Ninguém entra na mansão sem ser chamado, com ou sem a minha autorização. Os empregados devem receber suas visitas na ala de serviço somente aos sábados. Ninguém entra em meu quarto sem minha autorização. Folgarão aos domingos, mas devem estar de volta a mansão às dez horas da noite, impreterivelmente. Aliás, nenhum empregado sai da mansão durante o serviço sem minha autorização ou a de Anadyr. Os outros moradores também devem avisar quando saírem. – ela olha para Bruna e Pedro – A criadagem deve estar de pé às cinco da manhã, começando seus afazeres. Isto vale para os outros moradores também.
__Não vou acordar de madrugada, não trabalho aqui! – fala Bruna, revoltada e indignada.
__Não trabalhava. Agora trabalha. Vai ajudar na cozinha, Bruna. – ela sorri diabolicamente – Como eu já trabalhei um dia.

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