Bruna joga-se no sofá, bufando de raiva.
__Que ordinária essa tal Jaila Rivera! – ela grita – Vagabunda metida a chique! Que ódio! Minha vontade é de esganar aquela infeliz!
__Quer parar com o chilique? – diz Pedro – Ela é a dona da casa, é a patroa dos meus pais! Ela é quem manda, Bruna.
__Só se for em você, porque em mim ela não manda não! Nem meu pai manda em mim!
__Bruna, quer parar com isso? Olha que não estamos numa posição muito confortável na vida…!
__Vaca safada! Destruiu as nossas vidas! Como se não bastasse toda a humilhação que passamos, essa criatura ainda quer tripudiar da nossa desgraça!
__Nós somos os empregados agora, Bruna. Não podemos reclamar.
__Você ouviu o que ela disse?… Que já trabalhou na cozinha!… Essa é muito boa! Essa vadia tem cara de que já pegou no pesado algum dia?! Ela deu um golpe no otário do Benito isso sim!
__Meu Deus, que imaginação! Que idéia mais absurda, Bruna!
__Absurda por quê? Tantas mulheres fazem isso! – Bruna se levanta e anda de um lado para o outro da sala – Você mesmo quase foi vítima de uma golpista ordinária como essa! Lembra, querido?
__Jaila não é uma golpista, Bruna. Não sabemos nada a respeito dessa mulher, não vamos julgá-la. Mas uma coisa é certa: quem está no comando é ela. E não nós. Não você, Bruna.
__Você é um chato, sabia? Tá fazendo teste prá virar santo, Pedro?!? Eu não gostei dela. Não mesmo!
__Que coincidência, querida! – diz Rafael, entrando na sala neste momento – Porque ela também não gostou de você!
__Pedro, não vê que é um sinal, meu amor?… – Bruna ignora o comentário do sogro – A gente precisa sair daqui, Pedro! Tá na hora de ter a nossa casa, bem longe dessa cidade!
__Bruna, não é tão simples assim, como você quer…!
__Eu já tô cansada dessa vida ridícula! – ela grita, descontrolada – Você tem obrigação de me dar uma vida confortável, Pedro! Nesses anos todos, nada aconteceu, você não progrediu! Ao contrário, tá cada vez mais se afundando! Eu não aguento mais isso, Pedro! Fique sabendo que não vou aturar os desmandos daquela bruxa! Ou você toma uma atitude ou eu tomo.
__Bruna, por favor…
__Não tem mais por favor coisa nenhuma! – ela gesticula e grita – Acabou a minha paciência, Pedro! E se as coisas não mudarem entre nós, nosso casamento vai acabar também.

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