Capítulo 113

21 de julho de 2011

Uma festa. Jaila Rivera vai dar uma festa. Será no sábado, mas antes a milionária agendou um almoço no Típico’s com seu sócio no Le Baguete. Pedro está um tanto nervoso, pois será a primeira vez que Jaila irá ao restaurante. Ainda a pouco, ele foi avisado de que a milionária quer falar sobre o menu que será servido no almoço.

Ele bate na porta do escritório.

__Entre.

Jaila está perto da janela com alguns papéis nas mãos.

__Quer falar comigo? – ele pergunta.

__Sim. Já escolhi o menu do almoço de amanhã. – ela olha para ele e sorri – Meu sócio gosta de peixe. Vamos preparar um delicioso “Peixe Paixão” para ele!

__Como disse? – Pedro lembra muito bem desse prato… – Que prato?…

__”Peixe Paixão”. Acho que ele vai gostar, pois é muito saboroso. Conhece esse prato, Pedro?

__Bem, sim… Quero dizer, nós o preparamos algumas vezes no Típico’s… – ele conhece bem o prato, pois era uma especialidade de Júlia… – Como conhece esse prato?

Ela mostra um caderno a ele.

__Tenho algumas receitas neste caderno. É uma herança de minha família, uma relíquia.

Pedro franze a testa intrigado.

__Herança de família?… Mas esse prato é uma receita bastante nova e…

__Tá insinuando o quê?

__Bem, apenas acho estranho que seja uma herança de sua família, pois essa receita é recente e faz parte da culinária brasileira. – ele diz – Talvez você tenha se enganado sobre os pratos…

__Não há engano. Conheço muito bem a culinária brasileira tanto quanto as do mundo todo, meu caro. E não foi comendo nos restaurantes que aprendi tudo isso. – ela senta atrás da grande mesa toda empertigada encarando Pedro – Mas trabalhando neles.

__Você trabalhou em restaurante?

__Vamos servir o peixe com uma boa taça de vinho! Espero que o Típico’s tenha uma boa carta de vinhos…!

Pedro olha para o caderno e tem a sensação de já tê-lo visto antes.

__Posso ver as receitas?… – ele estende a mão.

__Absolutamente não. Como eu disse são receitas de família, de valor inestimável para mim. Além do mais, são segredos da El Madrid. – ela guarda o caderno numa gaveta e tranca a chave.

__Certo, certo. Desculpe.

__Pode ir agora.

__Com licença.

__Só mais uma coisa… Bruna deve ajudar no almoço hoje. E nada de chiliques, resmungos ou xingamentos.

__Tudo bem, vai ser tranquilo.

__Pode ir agora.

O caderno. É o caderno de receitas da Júlia! Pedro tem certeza disso. Mas como o caderno de receitas de Júlia foi parar nas mãos de Jaila Rivera na Espanha?… Isso é muito estranho! O coração de Pedro dispara só de pensar na morte de Júlia… E também, claro, em lembrar dos momentos de amor que passaram juntos. Ela lhe preparava lanches, almoços, cafés da manhã… E era tudo delicioso, maravilhosamente perfeito!… Num impulso, Pedro dá meia volta e entra no escritório de novo.

__O que foi?

__Este caderno de receitas parece muito com um que pertenceu a uma pessoa. – ele diz.

__O quê? Não entendi.

__Conheci uma pessoa que tinha um caderno igual a esse. Foi a muitos anos, vinte anos talvez… Mas o caderno era como esse.

Ela fica muito séria.

__Este caderno não pertenceu a mais ninguém além de mim. Como disse, é uma relíquia da família e está comigo a muito tempo. E que eu saiba ele é único. Pode ir, Pedro.

__Certo. Me desculpe. Talvez eu tenha confundido…

__Claro que confundiu. Agora que já está tudo esclarecido, pode ir embora.

__Com licença.

Não é estranho? Um caderno tão parecido… Será que ele se confundiu? Ou será que está vendo coisas, fantasiando demais?… Nunca saberá.

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