Uma festa. Jaila Rivera vai dar uma festa. Será no sábado, mas antes a milionária agendou um almoço no Típico’s com seu sócio no Le Baguete. Pedro está um tanto nervoso, pois será a primeira vez que Jaila irá ao restaurante. Ainda a pouco, ele foi avisado de que a milionária quer falar sobre o menu que será servido no almoço.
Ele bate na porta do escritório.
__Entre.
Jaila está perto da janela com alguns papéis nas mãos.
__Quer falar comigo? – ele pergunta.
__Sim. Já escolhi o menu do almoço de amanhã. – ela olha para ele e sorri – Meu sócio gosta de peixe. Vamos preparar um delicioso “Peixe Paixão” para ele!
__Como disse? – Pedro lembra muito bem desse prato… – Que prato?…
__”Peixe Paixão”. Acho que ele vai gostar, pois é muito saboroso. Conhece esse prato, Pedro?
__Bem, sim… Quero dizer, nós o preparamos algumas vezes no Típico’s… – ele conhece bem o prato, pois era uma especialidade de Júlia… – Como conhece esse prato?
Ela mostra um caderno a ele.
__Tenho algumas receitas neste caderno. É uma herança de minha família, uma relíquia.
Pedro franze a testa intrigado.
__Herança de família?… Mas esse prato é uma receita bastante nova e…
__Tá insinuando o quê?
__Bem, apenas acho estranho que seja uma herança de sua família, pois essa receita é recente e faz parte da culinária brasileira. – ele diz – Talvez você tenha se enganado sobre os pratos…
__Não há engano. Conheço muito bem a culinária brasileira tanto quanto as do mundo todo, meu caro. E não foi comendo nos restaurantes que aprendi tudo isso. – ela senta atrás da grande mesa toda empertigada encarando Pedro – Mas trabalhando neles.
__Você trabalhou em restaurante?
__Vamos servir o peixe com uma boa taça de vinho! Espero que o Típico’s tenha uma boa carta de vinhos…!
Pedro olha para o caderno e tem a sensação de já tê-lo visto antes.
__Posso ver as receitas?… – ele estende a mão.
__Absolutamente não. Como eu disse são receitas de família, de valor inestimável para mim. Além do mais, são segredos da El Madrid. – ela guarda o caderno numa gaveta e tranca a chave.
__Certo, certo. Desculpe.
__Pode ir agora.
__Com licença.
__Só mais uma coisa… Bruna deve ajudar no almoço hoje. E nada de chiliques, resmungos ou xingamentos.
__Tudo bem, vai ser tranquilo.
__Pode ir agora.
O caderno. É o caderno de receitas da Júlia! Pedro tem certeza disso. Mas como o caderno de receitas de Júlia foi parar nas mãos de Jaila Rivera na Espanha?… Isso é muito estranho! O coração de Pedro dispara só de pensar na morte de Júlia… E também, claro, em lembrar dos momentos de amor que passaram juntos. Ela lhe preparava lanches, almoços, cafés da manhã… E era tudo delicioso, maravilhosamente perfeito!… Num impulso, Pedro dá meia volta e entra no escritório de novo.
__O que foi?
__Este caderno de receitas parece muito com um que pertenceu a uma pessoa. – ele diz.
__O quê? Não entendi.
__Conheci uma pessoa que tinha um caderno igual a esse. Foi a muitos anos, vinte anos talvez… Mas o caderno era como esse.
Ela fica muito séria.
__Este caderno não pertenceu a mais ninguém além de mim. Como disse, é uma relíquia da família e está comigo a muito tempo. E que eu saiba ele é único. Pode ir, Pedro.
__Certo. Me desculpe. Talvez eu tenha confundido…
__Claro que confundiu. Agora que já está tudo esclarecido, pode ir embora.
__Com licença.
Não é estranho? Um caderno tão parecido… Será que ele se confundiu? Ou será que está vendo coisas, fantasiando demais?… Nunca saberá.

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