__Exagerando?! Eu?! De jeito algum, Anadyr! Fui até delicada demais com eles!… Mereciam muito mais pelo tanto que me fizeram…!
__Então isso é por vingança, Jaila? Trilhou tantos caminhos tortuosos prá cumprir uma vingança cega e desmedida?…
__Eu quero justiça, minha amiga. Não estou me vingando pura e simplesmente como pensa… Se eu quisesse apenas vingança já teria destruído essa gente a muito tempo!
__Não é o que tá parecendo. Você odeia essas pessoas, Jaila. E quer se vingar por tudo de ruim que elas…
__Bruna tentou me matar. Ela armou aquele encontro no galpão em Caiçara com o objetivo de me matar. Ela provocou o incêndio. Bruna é uma assassina. Eu sobrevivi prá dar o castigo que ela merece: a cadeia.
Anadyr senta ao lado da amiga.
__Você ainda ama o Pedro?
__Eu seria muito burra se amasse. – a resposta dela é cheia de vacilação… – Uma mulher não passa por tudo o que eu passei e continua morrendo de amores pelo homem!
__E se ele ainda te amar?…
__Não acredito nisso. E se for assim, que tipo de amor é esse que nunca procurou saber o que realmente aconteceu comigo? Que tipo de amor é esse que nunca tomou a minha defesa mesmo quando eu estava “morta”? Sinceramente, não acho que ele me ame. – ela suspira – Pedro é um fraco. Sempre foi. E eu sou forte. Sempre fui.
__Dentro do seu coração, lá no fundo mesmo… Sei que ainda gosta dele.
Júlia dá um sorriso leve e fecha os olhos.
__Houve um tempo em que eu senti muita falta dele. Era uma angústia, um vazio… Achava que nunca mais iria amar como amei, que Pedro era o único homem da minha vida… Depois, a minha angústia virou mágoa e o vazio encheu-se de coragem, perseverança, fé… Eu voltei meus olhos e meu coração pro meu filho, prá minha família e prá mim mesma. E descobri que o Pedro não era o único homem no mundo e que poderia amar sim. – Júlia sorri mais abertamente – O Benito foi um amigo, um companheiro maravilhoso…! Ele era um homem de verdade, correto, forte, decidido, generoso… Ele era o que o Pedro deveria ser e nunca foi, Anadyr. E acredito que nunca será.
__Mas se ele quisesse voltar com você agora, te jurasse amor…?
__Agora? Não sei… – ela se encolhe no sofá – Acho que não aceitaria.
__Tem certeza?
__Eu perdoaria. Mas não voltaria prá ele.
__Bem, e o que vai fazer agora? Vai deixar mesmo a Bruna na cozinha?
__Mas é claro que sim! – ela dá uma risada – Vai ser divertido, Anadyr! Antes, quero dar uma festa para os meus novos sócios. E aproveitar para apresentar meu sócio na Le Baguette.
__Jaila, isso pode ser complicado…
__Você acha?
__João pode ser reconhecido por Rafael ou Álvaro… Ou até mesmo por Pedro. Isso vai complicar tudo!
__Talvez… Mas não tô preocupada com isso não. Gostaria que meus pais viessem também…
__Isso sim é complicado!… Meu bem, acho que seus pais não vão querer vir a uma festa de gente rica…!
Júlia suspira. Sua maior tristeza é não ter podido contar aos pais que estava viva assim que tudo aconteceu… E a grande mágoa é saber que eles a desprezam e acreditam em todas as mentiras que disseram a seu respeito…!
Nesses anos todos, Júlia vem amparando os pais financeiramente de maneira discreta, através de João e de alguns amigos leais. Eles não sabem que a ascensão profissional de João tem o toque de Júlia… O trabalho de Sofia foi um arranjo de Júlia. A aposentadoria de Francisco também foi com a ajuda de Júlia…
__Tomara que João consiga convencê-los a vir. – ela diz num tom tristonho.
__E o Pedro?
__O Pedro vai ter o momento dele também.

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