Júlia se prepara para o almoço no Típico’s. Será preciso muito controle e sangue frio para estar diante de Pedro e Álvaro mais uma vez…
Apesar de manter sempre certa distância de seus desafetos, ela sabe que eles ainda a perturbam. Mas por outro lado, sabe também o quanto os constrange e incomoda com seu jeito frio e arrogante.
Até agora Júlia tem armado situações bastantes embaraçosas para Pedro. Como a estória do caderno de receitas, por exemplo. Ele ficou visivelmente transtornado…! Júlia está atingindo seu objetivo. Provocar seus desafetos, ver a reação deles, lhe dá a sensação de triunfo, de vitória…
Mas é claro que é uma sensação passageira, pois logo a frustração toma conta de seu coração. As coisas terríveis que viveu no passado por causa dessa gente e o que ainda vive, cheia de tormento e tristeza, servem de estímulo para Júlia continuar.
Às vezes ela pensa em desistir de tudo e voltar para a Espanha, esquecer Álvaro e seus asseclas… Esquecer Pedro e tudo o que lhe aconteceu no passado.
Mas não foi a toa que sobreviveu àquele incêndio. Não foi a toa que sobreviveu aos ferimentos, à miséria, à dor de perder seu filho… Não ficou viva para nada fazer em relação aos seus inimigos!… Ficou viva para responsabilizá-los por seus atos.
Sim, ela venceu. Conseguiu tornar-se uma mulher culta, elegante, bem sucedida.É uma forma de felicidade. Não foi assim que ela planejou quando tinha dezessete anos, mas saiu-se vitoriosa da mesma maneira.
__Quando vai se revelar, Jaila? – pergunta Lorenzo enquanto abre a porta do carro para ela.
__Falta pouco, meu querido. Vamos deixá-los pensar que sou Jala Rivera por mais algum tempo… Depois, no momento certo, todos saberão quem sou de verdade.

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