Capítulo 116

5 de agosto de 2011

O Típico’s está vazio ainda. Pedro anda de um lado para o outro, ansioso e aflito ao mesmo tempo. Esse almoço de Jaila Rivera está mexendo com seus nervos! Além disso, seu casamento não anda muito bem das pernas e tudo leva a crer que vai haver separação… Ele não quer, mas está consciente de que não tem mais jeito. A cabecinha de Bruna que já era perturbada, ficou pior ainda com a chegada de Jaila!

Pedro espera que tudo saia perfeito neste almoço. E está curioso em conhecer o sócio de Jaila no Le Baguette…

__Chefe, ela chegou! – avisa um dos funcionários do restaurante.

Pedro respira fundo e ajeita a camisa antes de sorrir e ir para o salão.

__Bom dia, senhora. Sua mesa está pronta.

__Ótimo. Meu sócio é muito pontual. Espero que você seja também. – ela tira os óculos escuros e sorri.

__Perfeitamente, senhora.

A mesa bem no centro do salão está arrumada de maneira simples porém elegante. Pedro puxa a cadeira para ela.

__O maitre irá serví-los. Com licença…

__Prefiro que você faça isso, Pedro.

__Eu? Mas…

__Algum problema?

__Bem, é que… Esta não é a minha área. O nosso maitre é excelente e vai…

__Não é um pedido, Pedro. É uma ordem. – Jaila olha muito séria para ele – Uma ordem.

__Sim, senhora.

__Ah, ele acaba de chegar! – diz ela alegremente ao ver João entrar no restaurante.

O rosto de Pedro empalidece visivelmente ao ver João. Sim, é ele! João Castro, irmão de Júlia!… Que loucura é essa?! Como ele pode ser sócio de Jaila?…

__Bom dia, Jaila. – diz João, beijando-a no rosto antes de sentar. – Estou atrasado?

__Claro que não, querido! João, quero apresentá-lo ao gerente do Típico’s… Pedro Moura.

__Como vai? – cumprimenta João.

__João Castro, meu sócio no Le Baguette.

Pedro ainda está paralisado, sem entender direito como João e Jaila se conheceram…

__Muito prazer. Desculpe, mas… Já nos vimos antes?…

__Talvez. – fala João – Mas venho raramente ao Rio… E conheço tanta gente…! Se nos conhecemos, em algum momento, sinceramente, não lembro.

__Porque acha que o conhece, Pedro? – pergunta Jaila.

__Bem… O senhor parece com alguém que conheci.

João sorri.

__Mesmo? Quem?

__O que isso nos interessa, querido? – corta Jaila com um gesto de absoluto desprezo – Estamos aqui para falar dos nossos negócios e não das recordações de um empregado!

__Claro, claro. Acho que podemos fazer isso enquanto comemos.

__Perfeito! Pedro, pode servir.

__Sim, senhora.

A conversa deles não interessa a Pedro. Ele mal ouve o que eles dizem…! Ainda está intrigado e tenta encontrar uma explicação para este encontro tão inusitado. Olha de vez em quando para João. Ele mudou um pouco. Agora está mais velho, veste-se elegantemente, fala muito bem… E parece entender muito de administração de empresas. Mas é mesmo irmão de Júlia, não há dúvida.

__Algum problema, Pedro? – pergunta Jaila.

__Não, senhora.

__Porque olha tanto para João?

__Desculpe. Mas eu tô impressionado com a semelhança dele com… Alguém que conheci no passado.

__É mesmo? Quem?

__Um rapaz que conheci há vinte anos…

__Seu amigo? – João pergunta num tom indecifrável…

__Na verdade, não chegamos a ser.

__Entendo. Também tive pessoas que passaram por minha vida muito brevemente… Mesmo assim nunca as esqueci. – diz João.

__Nossa, que dramático! – fala Jaila – Não gosto de dramas, saudosismo, tristezas! Pedro, pode se retirar agora. – ela se volta para o irmão -Vamos falar de negócios, João?

Isso tudo é muito estranho! Pedro sente que há algo no ar, mas não sabe o que é… Essa relação entre João e Jaila lhe parece muito estranha. Há muita intimidade entre eles para serem simples sócios…! Pedro não está gostando nada disso. Algo vai acontecer… Mas o quê?

 

 

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