Uma semana depois…
O temporal desaba sobre Caiçara justamente na hora em que a família Castro está indo embora. Na pequena caminhonete vão Francisco, Sofia, Eduarda e João. Atrás, uma carroça emprestada por Ronaldo e Vilma leva alguns dos poucos móveis da família. Eduarda chora o tempo todo, maldizendo a falecida irmã e praguejando toda a cidade por sua desgraça…
Numa curva, a caminhonete quase bate no carro prateado que vem em sentido contrário. É o carro de Álvaro Agostine. O empresário desce o vidro da janela do carro e põe a cabeça para fora dizendo:
__Tire essa geringonça do meu caminho!
Francisco avança com o carro e emparelha com o importado de Álvaro.
__A estrada é larga, dá prá passar todo mundo. – diz Francisco.
__Saia do caminho, seu caipira idiota! – grita Álvaro.
__Isso o senhor sabe fazer muito bem, doutor… Tirar as pessoa do seu caminho. – fala Sofia cheia de ódio.
__Se não recuarem vou passar por cima, seus imbecis!
__Isso o doutor já fez. – diz Francisco recuando com a caminhonete.
O belo carro prateado de Álvaro acelera e desaparece na estrada em meio à chuva.
Bruna sorri e aperta o braço de Pedro.
__Que gentinha mais ridícula!… Ainda bem que estamos indo embora desse lugar infeliz!
__E pelo jeito eles também. – comenta Paula.
__Quem se importa? – Bruna dá de ombros – Gente insignificante! Importante mesmo é o que o Pedro tem prá dizer. Fala, meu amor.
__Nós já marcamos a data do casamento. – ele diz num tom misturado de tristeza e esperança…
__Uau! Que maravilha, Pedro! – vibra Raquel.
__Depois de tudo que aconteceu essa é uma ótima notícia, filha. – fala Álvaro – Estou muito feliz por vocês!
__Vamos casar daqui a um mês! Não é maravilhoso?! – Bruna beija o noivo toda animada.
__Bem, pelo menos essa tragédia toda serviu prá alguma coisa…! – diz Álvaro – Seja benvindo à nossa família, Pedro!
Pedro tenta sorrir e demonstrar satisfação, mas não consegue. Apenas suspira, pensando se está tomando o caminho certo em sua vida. Depois do que aconteceu, ele ficou desorientado, sem saber que atitude tomar… O baque foi forte, ele sentiu muito a morte de Júlia. Apesar de todas as coisas horríveis que ela fez, das atitudes mesquinhas e desonestas, ele a amava. Por isso sofre tanto em saber que, ao contrário do que pensava, Júlia não era a mulher da sua vida… Era só uma garota do interior muito ambiciosa.
Então,depois do depoimento de Bruna, ele decidiu casar com ela. Não por pena ou gratidão, mas por afeto e admiração. E talvez, quem sabe, por amor também. A volta para o Rio vai ajudar a apagar os maus momentos passados em Caiçara. E a vida vai continuar para Pedro.

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