“Um casamento cinematográfico. A bela Bruna Agostine, filha do todo-poderoso Álvaro Agostine, casou-se com o jovem empresário Pedro Moura ontem, numa cerimônia expetacular na Igreja da Candelária. A festa foi ainda mais glamourosa, na mansão dos Agostine. Rafael Moura, o pai do noivo, tinha um sorriso constante nos lábios… O motivo de tanta felicidade não é só o casamento de seu filho. O empresário voltou à ativa no ramo gastronômico do Rio, reabriu seu restaurante e ainda assumiu um importe cargo nas empresas de Álvaro Agostine.É ou não é para estar rindo à toa?”
João resmunga e amassa o jornal, jogando-o sobre a mesa da cozinha.
__No fim das conta, quem levou a melhor foi o safado do Pedro! – ele comenta.
__Foi a Júlia que se meteu no namoro dele com a filha do Álvaro. Ela quase separou os dois! – fala Sofia – E destruiu a nossa vida…!
__A senhora bota a culpa de tudo que aconteceu na Júlia. mas a senhora sabe que não foi bem assim…!
__E foi como, então? Ela desgraçou com a minha família!
__Ela era tua filha, era da família também. A senhora tá desse jeito por causo da Eduarda, não é?
Sofia joga a colher de pau longe e encara o filho.
__Isso também é culpa da Júlia! Olha o que aconteceu com a tua irmã, João! A coitada não aguentou tanta desgraça, tanta humilhação…
__Coitada?! Mãe, a Eduarda foi embora porque quis! ela não é nenhuma santinha e agora a senhora sabe!
__Tu acredita mesmo nisso? Que a tua irmã andava com os homem da cidade? Acha que isso é do feitio dela? Acha que ela ia mesmo se sujeitar a uma coisa dessa…
__Por dinheiro ela se deitava com eles tudo sim!
Sofia dá um tapa no filho.
__Nunca mais fala isso da tua irmã! Nunca mais!
__Por causo de quê a Júlia pode ser uma vadia e a Eduarda não? – a voz de João sai tremida de raiva e tristeza…
__Eduarda sempre foi uma moça direita. Trabalhadeira, respeitadora, honesta… Nunca que contrariou nós, obedecia e achava certo tudo que nós pensa da vida…! Mas a outra não. Tinha cabelo nas venta aquela lá! Nunca obedecia, queria explicação prá tudo, brigava por tudo… Não respeitava nós. E acabou do jeito que acabou.
João levanta e caminha até a porta.
__Eduarda nunca foi uma moça direita. Fingia que trabalhava e fugia prá se encontrar com os homem dela! Ganhava presente e dinheiro deles. Eduarda nunca respeitou a senhora ou o pai. E nunca gostou dessa vida de pobre que nós leva. Por isso ela foi embora, mãe. Foi viver a vida dela, do jeito torto que ela escolheu viver. Vai botar a culpa na Júlia disso também? Vai culpar a Júlia pela safadeza da Eduarda?
__Tá querendo dizer o quê? Que a culpa é minha? – grita Sofia.
__Não. Eu não sei de quem que é a culpa. Mas sei que da Júlia não é. A Eduarda é maldosa, tem amargura no coração… Ela foi embora e nem quis saber da senhora ou do pai, tá pouco ligando se vão ficar bem! E eu acho que foi ela quem roubou o livro de receita da Júlia.
__Por causo de quê ela ia fazer isso?
__Por maldade. Só por maldade. Mas pode ficar tranquila, mãe. Eu não vou abandonar vocês. Vou ficar com vocês e ajudar a tocar a vida. Não vou dar as costa pros meus pais agora que tão precisando de mim. – ele diz isso e sai da cozinha.
A situação dos Castro piorou muito desde que saíram de Caiçara. Encontrar trabalho tem sido uma luta diária para Francisco e Sofia… Moram numa casa minúscula, num bairro pobre de uma cidade vizinha de Caiçara… Por enquanto apenas João está trabalhando. Eduarda arrumou suas trouxas e foi embora, depois de revelar que foi amante de vários homens conhecidos de Caiçara… Ela não queria mas viver na pobreza, sendo humilhada e passando necessidade… Simplesmente arrumou suas coisas e foi embora.
Sofia e Francisco ficaram arrasados e culpam Júlia por mais essa vergonha… João não pensa assim. Mas também ele foi prejudicado nesta estória toda: perdeu o emprego na fábrica, os amigos o abandonaram. O que está feito está feito, não dá para voltar para trás.

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