Rafael serve uísque para Álvaro e Pedro.
__Então Otávio Camargo é o convidado de Jaila? – pergunta Álvaro.
__Ele mesmo. Já viu o tamanho da nossa humilhação, meu amigo? – o tom da voz de Rafael é de pura aflição…
__Como é que eu vou receber esse sujeito, Álvaro?! – fala Natália – Que vergonha, meu Deus!…
__Mãe, quer parar de cena? Qual é o problema em receber o Otávio?
__O problema, Pedro, é que seu pai e Álvaro fizeram negócios com ele nos tempos das vacas gordas…! E agora olha só a que nível descemos!
__Que peninha! – fala Paula – Vocês fizeram tantas coisas boas, foram tão generosos com as pessoas! – ironiza ela.
__E você sempre contra nós, não é, Paulinha?! Devia defender seus pais, garota! E não ficar falando mal!
__Vocês não têm defesa, pai. Se agora estão nessa situação, a culpa é só de vocês! Fizeram por onde isso acontecer! E não tô falando só dos negócios não. As coisas horríveis que fizeram com o seu próprio filho…
__Ficou maluca, Paula?!? Não fizemos nada de horrível com o Pedro!
__Obrigar o rapaz a casar com a Bruna foi horrível sim!
__Não obrigamos ninguém a casar! – diz Rafael – Ele casou por que quis! Não é, Pedro?
__Pai, não ligue pro que ela diz. Aliás, isso não interessa agora. Quero saber como vai ser esse jantar hoje…! – ele fala, mudando de assunto.
__Estou apavorada, filho! Já pensou como vai ser quando o Otávio me vir?…
__Calma, mãe. Depois de todos esses anos, talvez ele nem se lembre de você.
__Será?… Tomara! Vai ser uma vergonha se ele me reconhecer…!
O desespero de Natália e Rafael tem fundamento. Aliás, Álvaro também está aflito com esse jantar. Afinal de contas, ele fez negócios com Otávio no passado, negócios que não foram bem sucedidos… Não seria bom encontrar com o empresário agora. Pedro está curioso para conhecer a viúva de Benito Rivera. Pelo pouco que seus pais disseram, a mulher é arrogante, autoritária e antipática! Bem, Rafael e Natália vêem as coisas com lente de aumento…! Claro que devem estar exagerando no julgamento de Jaila! Aliás, uma coisa que eles não fazem bem é julgar as pessoas…
__E Bruna, onde está? – pergunta Álvaro.
__Fazendo compras, como sempre. – diz Pedro – Ela ainda não entendeu que estamos pobres…!
Álvaro sorri e põe a mão sobre o ombro do genro.
__Ela entendeu sim, Pedro. O que ela não entende é porque continuam pobres…! – diz Álvaro, uma mensagem direta para Pedro…
__A resposta prá essa pergunta talvez você possa dar, Álvaro. – fala Pedro um tanto irritado com a maneira como o sogro ironizou – Por que continuamos pobres?
Álvaro fica quieto, mas visivelmente irritado.
__Não consegue responder, não é? – fala Paula sorrindo – Mas eu respondo por você, Álvaro. Por sua culpa. Você destruiu as nossas vidas! A minha, nem tanto porque eu sempre lutei por mim mesma… Mas destruiu a vida do meu irmão e de sua própria filha! E meus pais pegaram essa onda!
Sem esperar resposta, Paula sai da sala.
__Menina mau humorada! – exclama Álvaro.
Claro que Paula tem razão. Mas Pedro também tem sua parcela de culpa nessa estória. Seu maior erro não foi casar com Bruna. Seu maior erro foi não ter tomado a atitude certa no momento certo… Devia ter assumido seu romance com Júlia e enfrentado sua família. Era o que devia ter feito.
Mas depois de tudo oque aconteceu, com Júlia revelando-se uma pequena trapaceira, talvez sua decisão por ficar com Bruna tenha sido a mais acertada.
Pedro até hoje não quer pensar que Júlia era mau caráter, que fez todas aquelas coisas que disseram ter feito… A Júlia que ele conheceu era honesta, meiga, sem ambições, ingênua e alegre… Não seria capaz de tanta maldade!… Será que se enganou tanto assim com ela? É tão difícil acreditar! Mas a verdade, ele nunca saberá.

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